Nesta semana, o presidente Lula aprofundou o alinhamento da política repressiva do Estado aos interesses estratégicos do imperialismo na América Latina. Durante uma ligação telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula não apenas reiterou o interesse em parcerias contra o tráfico de armas e lavagem de dinheiro, como determinou que a Receita Federal traduzisse para o inglês dados confidenciais sobre movimentações financeiras para que fossem entregues ao Departamento de Estado norte-americano. Dois dias depois, no Panamá, o presidente brasileiro reforçou essa política ao se reunir com o líder da extrema-direita chilena e presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, para tratar sobre o combate ao crime organizado.
Esses movimentos consolidam uma escolha política desastrosa: a adoção da política de segurança da direita como política de Estado. Ao focar no fortalecimento da Polícia Federal por meio de intercâmbio de dados e congelamento de ativos sob supervisão estrangeira, o governo Lula escancara as portas para a ingerência imperialista. A política de repressão ao crime é um mecanismo histórico que o imperialismo utiliza para intervir na política interna da América Latina. O combate ao crime organizado torna-se o pretexto para a intervenção militar nos países, como já visto no México, no Panamá e na Colômbia, e hoje serve de base para a ofensiva contra a Venezuela.
Lula comete um erro duplo. Primeiro, reforça o preconceito conservador de que a violência é um problema de polícia, e não de colapso econômico. Segundo, ao tentar mimetizar o discurso de seus adversários, o governo paralisa a si mesmo. Não há projetos de impacto social ou reformas sendo discutidas com o mesmo afinco com que se discute a entrega de dados ao governo norte-americano. O resultado é um governo que gasta energia servindo a interesses externos enquanto a realidade interna do povo brasileiro só piora.
A consequência política dessa capitulação está registrada nos números. A pesquisa PoderData, coletada entre 24 e 26 de janeiro de 2026, mostra que o esforço de Lula para parecer “moderado” não resultou em apoio popular. Pelo contrário: o presidente entra no ano eleitoral desaprovado por 57% da população. No Centro-Oeste, a rejeição chega a 69%. Lula não está governando para a base que o elegeu, mas para tentar obter o aval de figuras como Trump e Kast, que jamais serão seus aliados reais.
Convém lembrar que a política repressiva do governo Lula vinha sendo justificada por um suposto combate ao “fascismo”. Foi isso que foi utilizado, por exemplo, como pretexto para que o governo apoiasse as arbitrariedades do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, no entanto, a campanha cai por terra: quando o imperialismo apoia o “fascismo”, Lula não hesita em apoiá-lo.





