Nordeste

70 famílias estão sob risco de despejo em acampamento na Bahia

Decisão judicial que embasa o despejo foi emitida ainda em setembro, mas só foi de fato apresentada às famílias no dia 22 de janeiro

São cerca de 70 famílias camponesas do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) que vivem e produzem há quase um ano em um acampamento em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador (BA), e agora enfrentam uma nova ameaça de despejo por parte do Estado, aliado direto dos interesses do grande capital.

No último dia 19 de janeiro, representantes do governo compareceram ao local para anunciar uma ação de despejo marcada para apenas oito dias depois, no dia 27. Após mobilização e pressão dos camponeses, a ação foi adiada para o dia 3 de fevereiro. Ainda assim, segundo o próprio MPA, nenhuma liminar havia sido apresentada oficialmente às famílias até então — uma clara demonstração de abuso e arbitrariedade.

A decisão judicial que embasa o despejo foi emitida ainda em setembro, mas só foi de fato apresentada às famílias no dia 22 de janeiro, três dias após a visita das autoridades ao acampamento. Mais uma vez, fica evidente que a “justiça” no Brasil tem lado: atua com eficiência militar quando se trata de atacar os trabalhadores, mas é lenta e complacente quando envolve latifundiários, grileiros e multinacionais.

É o caso da Acelen, empresa que passou a assediar diretamente os acampados, com ameaças veladas de que não haverá diálogo caso não saiam até a data estipulada. Trata-se de uma tática de terror, destinada a desmobilizar, fragmentar e destruir a resistência popular.

As famílias ocuparam cerca de 2 mil hectares, onde vêm cultivando hortas, roçados, plantas medicinais e alimentos de verdade — o oposto do agronegócio que destrói o solo, envenena os alimentos e expulsa o povo do campo. Agora, com a ameaça de despejo, o mínimo que reivindicam é tempo para desmontar suas casas improvisadas e colher o que plantaram.

“Eu sempre sonhei em ter um pedaço de terra para viver. Aqui eu tive a oportunidade de produzir meu próprio alimento”, afirmou Dona Dinha, de 67 anos, mostrando o vínculo que existe entre a terra e a dignidade do povo pobre.

Yoná, outra acampada, enfatiza: “Aqui eu tenho paz. Tenho a oportunidade de construir uma relação de amor com a terra, de produzir alimentos saudáveis e de cultivar meu horto medicinal.”

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