Quatro imigrantes, dois hondurenhos, um cubano e um cambojano, morreram sob custódia da Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) entre os dias 3 e 9 de janeiro de 2026. Situação ocorre em meio a protestos contrários ao ICE e à intensificação das políticas anti-imigratórias do governo Trump.
As mortes ocorreram durante um aumento expressivo da população detida. Em 7 de janeiro, o ICE mantinha cerca de 69 mil pessoas em instalações pelo país, número que deve crescer ainda mais após o Congresso norte-americano aprovar maior orçamento para deportações em massa. Em 2025, a agência já havia registrado o maior número de óbitos em detenção em duas décadas, com pelo menos 30 mortes.
O incidente mais recente soma-se ao clima de tensão nacional após o assassinato de Renee Nicole Good, cidadã norte-americana de 37 anos e mãe de três filhos, baleada mortalmente por um agente do ICE em 7 de janeiro, em Minneapolis, Minnesota. O caso, ocorrido durante uma grande operação de imigração na região, gerou protestos massivos na cidade e em outras capitais americanas, como Nova Iorque, Los Angeles, Seattle e Austin.
Manifestantes tomaram as ruas nos dias seguintes, com gritos de repúdio ao ICE e exigências de fechamento de centros de detenção. Em Minneapolis, os atos, que chegavam às dezenas de milhares de participantes, incluíram confrontos pontuais, danos a propriedades e tentativas de acesso a hotéis onde agentes federais estariam hospedados. A polícia local prendeu cerca de 30 pessoas durante os protestos do fim de semana. Houve protestos em mais de 1.000 cidades em todos os 50 estados norte-americanos.
O governo Trump defendeu-se afirmando que a taxa de mortalidade se mantém consistente com padrões históricos, mesmo com o crescimento da população detida, e destacou que os cuidados médicos oferecidos superam os de muitas prisões para cidadãos americanos.
Sobre os mortos em custódia
- Geraldo Lunas Campos, cubano de 55 anos, morreu em 3 de janeiro no Camp East Montana, nova instalação aberta pelo governo atual nos terrenos de Fort Bliss, no Texas, que, segundo o ICE, foi colocado em isolamento após comportamento disruptivo e depois encontrado em sofrimento, com a causa ainda em investigação;
- Luis Gustavo Nunez Caceres, hondurenho de 42 anos, faleceu em 5 de janeiro em hospital de Houston, vítima de problemas cardíacos;
- Luis Beltran Yanez-Cruz, hondurenho de 68 anos, morreu em 6 de janeiro em hospital de Indio, na Califórnia, também por complicações cardíacas;
- Parady La, cambojano de 46 anos, morreu em 9 de janeiro no Federal Detention Center, em Filadélfia, após, segundo declaração oficial do ICE, apresentar sintomas graves de abstinência de drogas.





