No próximo 1º de Maio, o Partido da Causa Operária (PCO) realizará, em São Paulo, um ato classista, internacionalista e anti-imperialista em defesa dos trabalhadores brasileiros e dos povos oprimidos pelo imperialismo. Marcada para as 11h, em frente ao Theatro Municipal, a atividade terá como um de seus eixos centrais a defesa da Palestina, hoje submetida a uma nova etapa do genocídio promovido por “Israel” com o apoio direto dos Estados Unidos e das demais potências imperialistas.
A convocação do PCO busca resgatar o verdadeiro sentido do Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, em oposição às comemorações esvaziadas, burocráticas e sem conteúdo político. Enquanto a direção da CUT optou por fragmentar a data em pequenas atividades, abandonando a necessidade de uma grande mobilização na capital paulista, o Partido chama os trabalhadores de São Paulo e de todo o País a concentrar forças em um único ato nacional, combativo e independente.
A situação da Palestina mostra por que o 1º de Maio precisa ser levantado, neste ano, com uma política claramente anti-imperialista. Mesmo após o cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro de 2025, a agressão israelense contra Gaza continua. Segundo informações divulgadas pela imprensa do Oriente Médio, apenas nas últimas 24 horas, nove palestinos foram mortos e outros 18 ficaram feridos na Faixa de Gaza. Entre os mortos, seis foram assassinados por disparos israelenses, enquanto o corpo de outro mártir foi retirado dos escombros.
Os números revelam o caráter criminoso do Estado de “Israel” mesmo em meio ao “cessar-fogo”. Desde seu início, pelo menos 817 palestinos foram mortos e 2.296 ficaram feridos. Antes disso, desde outubro de 2023, a ofensiva genocida havia deixado pelo menos 72.593 palestinos mortos e 172.399 feridos, além de destruir cerca de 90% da infraestrutura civil de Gaza.
A brutalidade israelense aparece também na crise da água. Ataques das forças de ocupação mataram pelo menos 19 trabalhadores palestinos de instalações hídricas desde o início da guerra. Em meados de abril, um ataque contra o poço de al-Zein, no norte de Gaza, matou um engenheiro e feriu outros quatro, danificando uma estrutura que atendia milhares de moradores. Poucos dias antes, soldados israelenses mataram dois motoristas contratados pelo Unicef em um dos principais pontos de coleta de água do norte de Gaza, atingindo diretamente a rede humanitária que abastece centenas de milhares de pessoas.
A população palestina é obrigada a sobreviver em condições calculadas para produzir doença, fome e desespero. A média diária de acesso à água potável caiu para apenas sete litros por pessoa, enquanto o uso doméstico chega a 16 litros. A referência humanitária internacional para uma vida minimamente digna é muito superior a isso. A destruição de usinas de dessalinização, estações de bombeamento e encanamentos, combinada ao bloqueio de combustível, peças e equipamentos, impede qualquer reconstrução efetiva.
A crise sanitária é igualmente devastadora. Cerca de 1,1 milhão de deslocados vivem sem redes de esgoto funcionais. Dos 100 caminhões necessários para lidar com o transbordamento de fossas e resíduos, apenas 15 permanecem em operação. Com a chegada do verão e a manutenção do bloqueio, a tendência é o agravamento das doenças e da catástrofe humanitária.
A luta dos trabalhadores brasileiros não pode ser separada da luta do povo palestino. O mesmo imperialismo que arma “Israel”, sustenta o bloqueio, encobre o genocídio e persegue os movimentos de solidariedade à Palestina é o que impõe a política neoliberal no Brasil, destrói direitos trabalhistas, pressiona por privatizações, saqueia as riquezas nacionais e mantém o País subordinado aos interesses dos bancos e das grandes potências.
No Brasil, a situação da classe operária é dramática. Milhões vivem na dependência de programas assistenciais, o salário mínimo não garante as necessidades básicas da população, os serviços públicos são sucateados, a dívida pública consome parcela gigantesca do orçamento nacional e os trabalhadores são submetidos a uma política permanente de arrocho. Contra tudo isso, o ato convocado pelo PCO pretende colocar nas ruas uma política de independência de classe, de luta contra o imperialismo e de defesa incondicional dos povos oprimidos.
A programação do dia será uma jornada completa de mobilização. A concentração começa às 11h, em frente ao Theatro Municipal, no centro de São Paulo. De lá, os manifestantes seguirão em caminhada até a Praça da Sé, levando às ruas a agitação política em defesa de um programa revolucionário e anti-imperialista. Depois da caminhada, a atividade será encerrada no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, no bairro da República, onde haverá churrasco e open bar de chope a partir das 14h.
A mobilização terá caráter nacional. Militantes, ativistas e comitês de várias regiões do País já estão organizando caravanas para participar do ato em São Paulo. Estão previstas delegações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraíba, Amazonas e Ceará.
Neste 1º de Maio, defender a Palestina é defender todos os povos oprimidos pelo imperialismo. É denunciar o genocídio em Gaza, o papel criminoso de “Israel”, a cumplicidade dos Estados Unidos e a hipocrisia das potências que falam em paz enquanto sustentam a máquina de guerra. É também afirmar que a classe operária brasileira precisa de uma política própria, independente da burguesia, dos partidos patronais e da esquerda adaptada ao regime.





