Jornalista e colunista da golpista Folha de S. Paulo, Ana Cristina Rosa publicou no referido órgão de imprensa o artigo Democracia é incompatível com o racismo, trazendo a premissa de que “democracia e racismo são sistemas incompatíveis”, como indicado pelo título, porém, trazendo contradições que chamam atenção para o que realmente defendem os identitários e os defensores da “democracia”. Diz Rosa na conclusão de sua coluna:
“Durante os chamados ‘anos de chumbo’, movimentos sociais que defendiam a pauta racial foram fortemente reprimidos, silenciados e criminalizados. Com base no mito da democracia racial, qualquer ação denunciando o racismo institucionalizado era enquadrada como ato de subversão e incitação ao ódio.
Para o bem de todos, cresce a consciência de que a democracia deve ser defendida e fortalecida. Contudo, o aumento exponencial do discurso do ódio, da intolerância e da violência com motivação étnico-racial preocupa cada vez mais. Afinal de contas, democracia e racismo são incompatíveis.”
Como lembrado pela autora, uma das armas da Ditadura Militar (1964-1985) para reprimir opiniões políticas e manter os movimentos sociais (trabalhadores, camponeses e estudantes principalmente) sob controle era perseguir a oposição sob o pretexto de que estavam combatendo o ‘discurso de ódio’ e em defesa da democracia. Alinhado com a própria Folha de S. Paulo, o golpista O Globo estampava na manchete do dia 2 as palavras “Fugiu Goulart e a democracia está sendo restabelecida”.
Ocorre que a própria Rosa demonstra não ter assimilado as conclusões a serem tiradas desse fenômeno ao defender, no parágrafo seguinte, que a “democracia deve ser fortalecida contra o discurso de ódio, da intolerância e da violência com motivação étnico-racial”. Ora, a autora não diz explicitamente, mas deixa claro que o “fortalecimento da democracia contra o discurso de ódio” será empreendido pelo Estado, tal como vem sendo feito e mais concretamente, pelas forças de repressão estatal. Exatamente como era feito na Ditadura Militar.
A conclusão a ser tirada é que sob o disfarce do “fortalecimento da democracia”, o que a autora realmente está defendendo é uma ditadura igual à que vigorou no País durante 21 anos de um regime de terror sem paralelos em nossa história. Eis a maravilha de regime político defendido por Rosa, que aqui, presta-se ao papel de transmissora da política dos grupos que sustentam não apenas ela, mas a Folha de S. Paulo, o conjunto dos monopólios de imprensa (estabelecidos, não sem surpresa, durante a Ditadura Militar) e todos os defensores da “democracia”: o imperialismo.
Para evitar que as bases da esquerda se deixem iludir por frases como “durante os chamados ‘anos de chumbo’, movimentos sociais que defendiam a pauta racial foram fortemente reprimidos, silenciados e criminalizados”, é preciso lembrar que a violência brutal do período não veio do além, mas dos representantes da política imperialista no País. Eram os grandes monopólios, que se expressavam por meio dos já citados órgãos de imprensa que organizaram o horror daqueles anos e da mesma forma, são eles que o fazem agora, repetindo praticamente tudo o que fizeram, inclusive o pretexto.
Sob a desculpa de proteger a democracia da intolerância e do discurso de ódio, impuseram a negros, brancos, índios e a toda a população, um regime de terror como o Brasil jamais vira. O mesmo está posto agora, quando Rosa apoia a “defesa da democracia”. Nada de novo, portanto.
O caso mostra como a política dos identitários é profundamente reacionária e dedicada a um regime de terror abertamente fascista. Todo o arsenal macabro de repressão política, censura, cerceamento dos direitos democráticos, caça às oposições está presente na política defendida por esse setor da direita imperialista que conseguiu se imiscuir no interior da esquerda graças à submissão da esquerda pequeno-burguesa ao imperialismo.
O que eles defendem, porém, não é nada diferente do que os militares fizeram no País, nem de outras experiências políticas tão horripilantes quanto o nazismo e o sionismo, identitários por excelência. É a supressão da livre circulação de ideias e o silenciamento forçado das oposições por meio do horror.
É preciso que colocações como as de Rosa sejam analisadas criticamente pela esquerda, porque demonstram o que concretamente está sendo defendido na propaganda de “defesa da democracia”. Nem por acaso se trata de um regime onde os direitos democráticos dos negros e da população em geral serão preservados, mas do exato oposto a isso. Um regime que vai usar toda a sorte de demagogias para instituir um terror, por ser fundamentalmente incompatível com o pleno gozo dos direitos democráticos pela população.