A vitória de Donald Trump à presidência dos EUA gerou crises em diversas frentes de atuação do imperialismo. A principal delas é a guerra entre Rússia e Ucrânia. A atuação de Trump tem sido no sentido de procurar encerrar o conflito, apesar de o imperialismo ser contra essa iniciativa. Diversos governos europeus já se posicionaram no sentido de intensificar o conflito, mandando mais armas para a Ucrânia.
Mais recentemente, o governo Trump sugeriu que seria o momento de aliviar as sanções contra Vladimir Putin. Os principais governos da Europa se posicionaram totalmente contra a medida. A União Europeia afirmou que só poderia se pensar em algum alívio após a retirada de todas as tropas russas da Ucrânia, enquanto Macron chegou a sugerir o envio de forças europeias para apoiarem a segurança na região.
Chama a atenção que, nesse momento em que se poderia fazer uma pressão para o fim da guerra, o governo Lula assuma uma posição de suposta “neutralidade”. Em sua recente visita ao Vietnã, Lula voltou a defender a tese do “não alinhamento”, afirmando que o Brasil não quer tomar partido na disputa entre potências e prefere atuar como mediador. Em um discurso ao lado do primeiro-ministro vietnamita, Lula condenou a guerra, mas sem responsabilizar claramente a OTAN, a Europa ou os EUA pelo prolongamento do conflito, repetindo sua defesa de uma solução negociada sem tomar uma posição clara contra o imperialismo ocidental.
O problema é que essa política de não se posicionar na guerra é, na verdade, um apoio ao imperialismo. Nesse momento, inclusive, a posição de Lula chega a ser criminosa. O que está em jogo é uma ofensiva violentíssima do imperialismo, que já demonstrou não querer aliviar sanções contra a Rússia pois sua política é a guerra, versus uma reação a essa ofensiva. Nesse sentido, é preciso ter claro que a política de Lula não é verdadeiramente uma política neutra, é uma política de capitulação ao imperialismo.
A posição correta, nesse momento, seria a de se colocar pelo fim da guerra na Ucrânia, mantendo os territórios anexados à Rússia. Qualquer posição diferente dessa implica numa continuação de mortes de ucranianos, os quais servem de bucha de canhão para os interesses do imperialismo. Além de ser um fortalecimento da posição do imperialismo.
O natural nesse caso é que Lula defenda o fim imediato dessa guerra. O fato de ele não estar assumindo essa posição claramente é um indicativo de que sua posição “pró-democracia” o está colocando ao lado do imperialismo nesta que é uma das questões mais fundamentais da situação política atual.





