Em um movimento que abalou o Pentágono, o presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Charles Q. Brown, e também afastou outros oficiais de alto escalão, incluindo a primeira mulher a comandar a Marinha – em uma jogada identitária do governo Biden -, a almirante Lisa Franchetti. Essas ações não apenas expõem as contradições internas do imperialismo norte-americano, mas também refletem uma tentativa de Trump de consolidar seu controle sobre as Forças Armadas em meio à crise política e econômica de seu país.
O Pentágono é o centro nervoso do aparato militar norte-americano e desempenha um papel fundamental na sustentação do imperialismo. Com sua vasta estrutura administrativa e operacional, ele coordena intervenções militares, operações de inteligência e estratégias de dominação econômica em todo o mundo. No entanto, as recentes mudanças promovidas por Trump colocam em xeque a estabilidade dessa instituição e abrem espaço para uma politização ainda maior das forças armadas.
Na Análise Internacional realizada no último dia 24, o presidente do Partido da Causa Operária Rui Costa Pimenta destacou que as ações de Trump no Pentágono refletem uma crise mais ampla dentro da burguesia norte-americana. Em sua análise, Pimenta destacou que o imperialismo norte-americano enfrenta uma ruptura em sua unidade interna devido à crise econômica global e às contradições da globalização neoliberal. Trump representa um setor burguês que busca se desvencilhar das políticas imperialistas, que implicam nos setores mais poderosos engolindo os menores, como ele mesmo as define, priorizando interesses econômicos internos em detrimento das aventuras militares externas.
Rui apontou que Trump tem adotado uma postura de retração imperialista ao criticar as “guerras eternas” e cortar orçamentos destinados a intervenções militares. No entanto, essa política não deve ser vista como um rompimento com o imperialismo, mas sim como uma reconfiguração estratégica.
“Trump não acredita que os Estados Unidos tenham condições de bancar o aparato de policiamento internacional como foi feito até agora”, afirmou Rui. Ele também destacou que essa mudança está longe de ser altruísta: “Trump teme que a máquina de desestabilização usada contra governos estrangeiros possa ser usada contra ele próprio”.
As mudanças no Pentágono geraram críticas severas tanto nos EUA quanto no exterior. Parlamentares democratas acusaram Trump de politizar as forças armadas ao exigir lealdade política dos generais, numa indicação ainda maior da crise interna do imperialismo. Internacionalmente, essas ações são vistas como um sinal de instabilidade interna nos EUA.
O dirigente do PCO destacou ainda que essa crise interna no imperialismo norte-americano abre novas possibilidades para os povos do mundo resistirem à dominação imperialista. Pimenta apontou que a retração dos EUA em conflitos externos pode enfraquecer sua capacidade de intervenção em países como Venezuela e Irã, criando brechas para que esses países fortaleçam suas soberanias.
As ações recentes de Trump no Pentágono são mais um capítulo da crise do imperialismo norte-americano. Ao mesmo tempo em que busca consolidar seu controle sobre as forças armadas, Trump expõe as divisões internas da burguesia dos EUA e a fragilidade do aparato militar diante das contradições no interior da classe dominante. Como apontado por Pimenta, essa crise representa tanto um risco quanto uma oportunidade para os povos explorados pelo imperialismo norte-americano.