Em 2013, o jornal britânico The Guardian revelou operações massivas de contrabando de lingotes de ouro do Marrocos para Dubai, onde esses lingotes foram cobertos com cobre para esconder seu valor real. Amjad Rihan, especialista da empresa “Ernst & Young”, descreveu essas operações como “totalmente antiéticas e desonestas”, expressando sua surpresa por tais práticas ocorrerem em uma cidade avançada como Dubai.
Durante uma visita ao escritório da empresa “Kaloti” no mercado de ouro de Dubai em 2013, inspetores da “Ernst & Young” notaram uma pilha de lingotes que pareciam prateados. Ao raspar a camada brilhante, descobriram que os lingotes eram de ouro, cobertos com cobre para ocultar seu verdadeiro valor. Essa camuflagem tinha como objetivo evitar as restrições impostas à exportação.
Além disso, um relatório do jornal “Al-Araby Al-Jadeed” apontou que a empresa “Kaloti” importou lingotes de ouro do Marrocos revestidos de prata como uma forma de evitar as regulamentações de exportação. A empresa também comprou ouro no valor de 5,2 bilhões de dólares em dinheiro, incluindo ouro do Sudão, ligando essas operações à lavagem de dinheiro e ao financiamento do crime organizado.
Essas transações destacam as complexidades no comércio de metais preciosos entre o Marrocos e Dubai e evidenciam desafios na supervisão das exportações e importações. Além disso, ressaltam a necessidade urgente de maior transparência e responsabilidade nesse setor crucial para evitar seu uso em atividades ilegais.
Em um contexto relacionado, o Supremo Tribunal do Reino Unido decidiu conceder uma indenização a Amjad Rihan, ex-auditor da “Ernst & Young”, após ele revelar essas irregularidades e sofrer represálias por isso.
Esse caso destaca a importância dos denunciantes na exposição de atividades ilegais e a necessidade de oferecer proteção a eles para garantir transparência e integridade nos setores financeiro e comercial.