Na edição desse sábado (8) da Análise Política da Semana, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), comentou uma matéria da Folha de S.Paulo, escrita por um colunista que advoga contra o direito elementar de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O artigo em questão trazia a frase: “E daí que Bolsonaro tem liberdade de expressão?”, completada com a afirmação de que “Ele não possui a liberdade de forçar goela ela baixa no STF a sua própria absolvição”. Pimenta refutou essa ideia, argumentando que o que o autor chama de “forçar goela abaixo” é, na verdade, o direito de lutar pela própria absolvição.
Ele criticou a falta de distinção entre um ato e a liberdade de expressão, citando exemplos absurdos do colunista. O dirigente questionou: “Quando o estelionatário coloca o link para vender uma coisa que não é sua, ele está vendendo, ele não está se expressando. Vender é uma ação, dizer é expressão”. Ele continuou, denunciando a tentativa de incriminar a fala para justificar a censura. Pimenta considerou essa abordagem como um “esmagamento do cidadão pelo Estado”, comparando a situação à época em que as decisões da Igreja Católica eram tidas como inquestionáveis.
O apresentador estendeu a crítica à esquerda, que ele acusou de apoiar essa escalada autoritária. Para ele, a condenação dos bolsonaristas por atos como a ocupação da mesa do Congresso, que ele relembrou ter sido praticada pelo próprio PT no passado, mostra o alinhamento da esquerda com a burguesia imperialista. Ele afirmou que “a esquerda brasileira, ela está em nome da luta contra o bolsonarismo, ela está se inclinando cada vez mais à direita contra todas as liberdades políticas no país”.
A análise de Pimenta se aprofundou ao examinar a política externa do governo Lula. Ele questionou o conceito de uma “frente internacional pela democracia”, que ele vê como um alinhamento com o imperialismo. O apresentador citou a participação do Brasil em uma declaração sobre a situação em Gaza, elaborada pela França e pela Arábia Saudita, classificando o documento como uma “proposta criminosa feita por criminosos”. Segundo ele, o objetivo do documento era desarmar a resistência palestina e impor uma eleição “golpista” na região, onde os partidos da resistência não poderiam participar. Pimenta criticou a hipocrisia de uma política que diz defender a democracia enquanto apoia o que ele considera fascismo na Palestina.
Em um trecho da fala, ele destacou:
“Não é possível, lutar contra o fascismo sem combater o imperialismo. O primeiro, a primeira condição, a condição essencial, a condição vital para lutar contra o fascismo é lutar contra o imperialismo.”
Rui Pimenta também abordou a situação de Donald Trump e o “antitrampismo” global. Ele afirmou que o ex-presidente não é um pacifista, mas que sua política, movida por interesses econômicos de um setor da burguesia, o coloca em conflito com a ala militarista do imperialismo. Ele ressaltou que a política “antitrampista” e “antifascista” de boa parte da esquerda leva ao atrelamento ao imperialismo, e não à defesa da democracia.
O apresentador dedicou uma parte significativa do programa para discutir a fragilidade do Supremo Tribunal Federal (STF) diante das sanções impostas por Trump a Alexandre de Moraes, através da Lei Magnitsky. Ele descreveu a situação como um “espetáculo ridículo” onde os “heróis da democracia” se desmoralizaram por medo de perder cartões de crédito e vistos para os Estados Unidos.
A conclusão é que a única força capaz de defender os direitos e a soberania do país é o povo brasileiro. Ele criticou a postura do governo Lula de buscar negociações em vez de defender a soberania, afirmando que a solução para a crise não virá das instituições, mas da mobilização popular.




