Palestina

Quem são os cinco dirigentes do Hamas assassinados por ‘Israel’

Membro do birô político do Hamas foi o quinto dirigente revolucionário assassinado por "Israel" em uma semana

Em 25 de março de 2025, Ismail Barhoum, membro do birô político do Hamas, foi morto por “Israel” em um ataque aéreo contra o Hospital Nasser, em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza. Barhoum estava internado, tratando ferimentos graves sofridos em um bombardeio anterior do enclave imperialista, quando o novo ataque o atingiu. O Hospital Nasser, que abriga pacientes e deslocados, foi o cenário desse incidente, marcando a quinta morte de um dirigente do Hamas em menos de uma semana.

Junto a ele, Salah Bardawil, Issam Daalis, Yasser Harb e Mohammed Al-Jamasi também foram alvos de operações aéreas recentes de “Israel”, todas voltadas contra lideranças políticas do movimento palestino. O principal partido da Resistência Palestina classifica essas ações como parte de uma campanha para enfraquecer a resistência em Gaza.

Barhoum integrava a direção do Hamas, um grupo de 20 membros responsável por decisões estratégicas e organização interna, sem funções militares diretas. Ele havia sido ferido uma semana antes, em outro ataque do país artificial, e recebia cuidados médicos no momento do bombardeio fatal.

O ataque ao hospital ocorreu na região sul de Gaza, onde a infraestrutura de saúde já entrou em estado de colapso devido aos 18 meses de conflito intensificado desde a Operação Dilúvio de Al-Aqsa. A morte de Barhoum elevou para 11 o número de membros da direção do partido assassinados por “Israel” desde outubro de 2023, indicando um padrão de eliminação de lideranças políticas palestinas.

Salah Bardawil, outro integrante da direção do principal partido palestino, foi morto em 23 de março de 2025, durante o Ramadã. O ataque aconteceu em Al-Mawasi, oeste de Khan Younis, enquanto ele rezava em uma tenda com sua esposa. Ambos morreram no bombardeio, que o Hamas descreveu como parte de uma série de ações contra civis na área.

Bardawil tinha um histórico extenso no Hamas, atuando em atividades políticas e de comunicação. Ele era conhecido por representar o movimento em negociações e por seu trabalho na articulação das demandas palestinas, especialmente em Gaza, onde a população enfrenta bloqueios e ataques contínuos do enclave imperialista.

Outra vítima dos crimes da ditadura sionista, Issam Daalis foi assassinado no dia 18 de março, em um ataque aéreo ao amanhecer que também vitimou outros dirigentes. Como presidente do Comitê de Acompanhamento do Trabalho Governamental, Daalis coordenava a administração civil em Gaza, supervisionando a distribuição de ajuda humanitária e a manutenção da ordem em meio à crise.

O bombardeio, executado por “Israel”, atingiu um grupo de lideranças em um único golpe, evidenciando a intenção de desarticular a estrutura organizacional do Hamas. Daalis trabalhou por mais de 15 meses para sustentar serviços essenciais, como segurança e assistência às famílias, em uma situação de bombardeios frequentes e escassez de recursos.

Igualmente membro do birô político, Yasser Harb morreu no mesmo ataque que Daalis. Ele não havia sido eleito na renovação de 2021, mas reassumiu funções no Hamas para substituir membros mortos em operações anteriores do país artificial.

Harb focava na proteção da população palestina, ajudando a conter influências de grupos alinhados à ocupação e a fortalecer a coesão social em Gaza. Sua morte, aos 18 de março, foi mais um passo na estratégia de “Israel” de eliminar quadros políticos do Hamas, visando criar instabilidade na região, que já sofre com mais de 40 mil mortos desde o início do conflito atual, segundo dados locais.

Presidente do Comitê de Emergência, Mohammed Al-Jamasi foi outro dirigente morto por “Israel” nessa sequência de ataques. Ele liderava esforços para responder às crises humanitárias em Gaza, organizando ajuda em meio aos danos causados pelos bombardeios da ditadura sionista.

Al-Jamasi não tinha papel militar, mas era essencial na gestão de suprimentos e na assistência às vítimas dos ataques. Seu assassinato, como os demais, ocorreu em um momento de ofensivas aéreas que têm como alvo lideranças políticas e civis, numa tentativa de “Israel” de interromper a capacidade de organização do Hamas e consequentemente, de resistência da população palestina.

Desde a Operação Dilúvio de Al-Aqsa, em outubro de 2023, “Israel” matou 11 dos 20 membros originais do birô político do Hamas. Além dos cinco recentes, nomes como o lendário Iaia Sinuar, Marwan Issa, Zakaria Abu Muamar, Rawhi Mustasha, Samih Al-Sarraj, Jawad Abu Shamala e Jamila Shanti já haviam sido assassinados em ataques anteriores. Esses martírios fazem parte de uma campanha focada em lideranças revolucionárias, que não estão na linha de frente do conflito, o que torna seus respectivos martírios assassinatos sem outra função além de desorganizar a Resistência.

O Hamas, por sua vez, afirma que essas ações visam desestabilizar Gaza, mas destaca que até aqui, se mostraram infrutíferas como meio de interromper a resistência, que segue ativa em resposta à ocupação. Os ataques recentes, incluindo o bombardeio ao Hospital Nasser e as mortes em Al-Mawasi, geraram reações do Hamas, que publicou obituários destacando o papel dos dirigentes na defesa da população.

Com total apoio dos Estados Unidos, “Israel” conduz essas operações como parte de uma guerra que já dura mais de um ano e meio, marcada por toda sorte de crimes, bloqueios e destruição em larga escala. Os cinco dirigentes — Barhoum, Bardawil, Daalis, Harb e Al-Jamasi — eram figuras centrais na estrutura política do Hamas, e suas mortes ampliam o impacto humanitário em Gaza, porém a Resistência Palestina continua a operar apesar das perdas. O movimento mantém que a luta por soberania permanece, mesmo diante das ações do enclave imperialista.

Gostou do artigo? Faça uma doação!