A Internacional da qual participa o PSTU, Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), publicou uma matéria onde busca, mais uma vez, afirmar e reforçar seu apoio criminoso ao governo fantoche do imperialismo da Ucrânia, cuja base social são grupos nazistas armados que o mantêm no poder sobre a base da repressão da população ucraniana. Nesse momento, o apoio a esse governo significa o apoio a uma guerra por procuração do imperialismo, que está levando milhões de ucranianos à morte, uma posição verdadeiramente criminosa.
No texto, publicado no sítio Opinião Socialista e intitulado “LIT-QI: Não ao rearmamento da UE! Não ao acordo Trump-Putin para divdir a Ucrânia! Todo apoio à resistência ucraniana”, o articulista coloca sua oposição à paz na região logo no começo, quando ele afirma que Trump “cerrou fileiras com Putin para, por meio da mais vil chantagem, forçar a capitulação do governo ucraniano e fechar um acordo colonial no qual Putin manterá a Crimeia e o Donbass, além dos oblasts de Kherson e Zaporizhzhia, conforme imposto na Constituição Russa, e dividir a riqueza do país”.
A colocação da palavra “colonial” deve servir para impressionar os incautos, mas não se trata de nada disso. A população dessas regiões da Ucrânia é, em sua maioria, russa. Em todos esses locais, a população expressou desejo de se juntar à Rússia. Além do mais, o governo fascista de Zelensky passou anos bombardeando e assassinando a população dessas províncias, sendo essa, inclusive, uma das razões para o princípio da ação militar russa na Ucrânia.
O autor continua, em uma análise um tanto quanto absurda sobre as intenções e capacidade de ação de Donald Trump: “Além do saque da Ucrânia, as ações de Trump fazem parte de sua estratégia para tentar distanciar a Rússia da China e enfraquecer a União Europeia (UE) – o bloco do imperialismo europeu – subjugando-a e humilhando-a, fomentando a extrema direita em seu interior e colocando os países membros uns contra os outros”.
A ideia é um tanto extravagante: primeiramente falar de “saque” da Ucrânia quando o governo Biden já impulsionou uma guerra por anos que levou à morte de uma grande parcela da população é bastante absurdo e incoerente. É evidente que Trump está apenas em uma política de tentar encerrar o conflito porque não é do interesse dos grupos econômicos que o apoiam que se gaste dinheiro com as “guerras eternas” do imperialismo.
Além disso, a questão da União Europeia também dá o tom do alinhamento do PSTU: se Trump estivesse de fato em uma política de procurar enfraquecê-los, qual seria o interesse em se opor a isso? Um grupo revolucionário deveria ser a favor do enfraquecimento do imperialismo europeu. Além disso, Donald Trump não tem o controle do imperialismo norte-americano e não tem o poder de intervir no interior dos países europeus da forma como é colocado no texto.
Além disso, a LIT-QI faz uma crítica às diversas posições e grupos da esquerda europeia. Os grupos que por eles são classificados como “esquerda pós-stalinista”, são criticados por terem apoiado “a invasão da Ucrânia pelo regime ditatorial e sanguinário de Putin, reproduzindo seu vil argumento de desnazificar a Ucrânia e explicando que era um movimento ‘anti-imperialista’ contra os EUA e a OTAN”. No entanto, é evidente para todos que se trata de uma operação comandada pela OTAN, haja visto o dinheiro investido pelos países-membros da OTAN nessa guerra e os próprios interesses estratégicos da Organização, que busca acabar com a integridade territorial russa. Também é interessante a negação da LIT-QI, que nunca admitiu a existência de grupos nazistas e de extrema-direita sustentando o regime ucraniano, como o batalhão Azov e outros descendentes diretos dos nazistas da época de Hitler.
O articulista tem uma compreensão totalmente distorcida da verdadeira natureza do conflito atual entre Rússia e Ucrânia. Considera que não se trata de uma guerra entre exércitos e levada adiante por seus governos, com o imperialismo por trás do governo ucraniano. No caso da Ucrânia, artigo fala em “continuar a apoiar ainda mais fortemente a resistência armada do povo ucraniano com seus operários à frente”. Trata-se de uma ideia absurda, a classe operária ucraniana não tem o menor interesse nessa guerra. Uma boa parte dela tenta fugir do país, mas é levada ao front contra sua vontade.
Em suas conclusões finais, o artigo invoca: “Não ao acordo Trump-Putin para desmembrar e saquear a Ucrânia!”, exigindo “Fora as mãos de Trump, Putin e da UE da Ucrânia!”, uma posição absurda porque não há condições de exigir que a Ucrânia fique fora das mãos de Trump e Putin, mas também do lado oposto do conflito, que seria a União Europeia. Após despejar centenas de bilhões de dólares de armamentos na Ucrânia, é evidente que o país está nas mãos do imperialismo, não só europeu, mas mundial.
O artigo também se coloca contra “contra as medidas antioperárias e neoliberais de Zelensky”, apesar de estar apoiando a política de Zelensky no que diz respeito à questão russa e a submissão ao imperialismo, levando a sua população à morte.
A vitória de Trump não modificou os interesses imperialistas na Rússia. O que ocorre é que Trump não é o representante principal do imperialismo norte-americano, então a sua política é menos pior e menos destrutiva do que a de seu antecessor, Joe Biden. O PSTU e semelhantes atacam Trump de uma forma que nunca atacaram Biden, mostrando que sua posição é alinhada com a do imperialismo e que eles não têm nenhum interesse em apoiar a paz na Ucrânia.