A BBC News Brasil divulgou uma pesquisa realizada na Universidade de Birmingham, no Reino Unido, publicada no periódico acadêmico The Lancet Regional Health Europe, com conclusões sobre a proibição de celulares nas escolas.
De acordo com a educadora física Victoria Goodyear, principal autora do estudo, entrevistada pela BBC, “proibir celulares nas escolas não está relacionado a notas mais altas ou melhor bem-estar mental entre alunos”. Segundo a reportagem, “as escolas que restringiam o uso de celulares não pareciam ver na prática as melhorias pretendidas em quesitos como saúde, bem-estar e foco nas aulas”.
O estudo comparou 1.227 alunos e as regras de 30 escolas secundárias diferentes para uso de smartphones nos intervalos das aulas. No Brasil, a medida é mais rígida, o uso de aparelhos celulares por alunos nas escolas públicas e privadas foi proibido pelo governo federal em janeiro.
“Descobrimos que essas proibições, de forma isolada, não são suficientes para lidar com os impactos negativos”, disse Victoria Goodyear.
A conclusão geral é de que “o sono dos jovens, o comportamento em sala de aula, o volume de exercícios físicos ou quanto tempo eles passam em seus smartphones no geral também não parecem ser diferentes entre escolas com proibições a esses aparelhos e aquelas que não possuem políticas do tipo”, o que levou a pesquisadora à conclusão de que “precisamos fazer mais do que apenas proibir telefones nas escolas”.
O debate gira em torno da limitação, do uso “consciente e responsável”, com menor tempo, mas não da proibição completa. Existe a consideração de que houve vantagens no sentido da relação interpessoal na escola, entre os estudantes e com os professores, também a questão da exposição, privacidade, entre outros pontos. Mas a proibição não está justificada. Tanto que por muito tempo a defesa de amplos setores era da inclusão digital, de a escola ser o espaço de acesso à internet etc.
A iniciativa de proibir os celulares nas escolas ou a ideia de restringir a idade para ter acesso ao celular, é censura, não está relacionada com a preocupação com saúde dos jovens, mas uma tentativa de controlar a juventude limitando o seu acesso à informação.