Neste domingo, 30 de março, o Partido da Causa Operária (PCO) realizou um ato político em memória dos 61 anos do golpe militar de 1964. A atividade teve como eixo central a denúncia da ditadura militar que perseguiu, torturou e assassinou milhares de brasileiros e que, mesmo após décadas, segue viva por meio das instituições que nunca foram desmontadas — como o alto comando das Forças Armadas, a Polícia Militar e, hoje, o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), dá continuidade as ilegalidades daquele período.
A data marca um dos episódios mais sombrios da nossa história. Em 1964, o imperialismo e a burguesia brasileira impuseram ao país um regime de terror para esmagar o avanço da luta operária e popular. Passados 61 anos, vemos claramente que os herdeiros diretos daquele golpe seguem no poder — reformulados, mas atuando com os mesmos objetivos: destruir os direitos democráticos do povo e impedir qualquer avanço real em direção à soberania nacional e ao socialismo.
Em sua intervenção no ato, o companheiro Henrique Áreas, dirigente nacional do PCO e coordenador do Grupo Gari, deixou clara a conexão entre o golpe de 64 e a ofensiva atual liderada pelo STF. Ele denunciou o papel do Judiciário na prisão de Lula, na derrubada do governo Dilma e na perseguição aberta a qualquer oposição — seja de esquerda ou de direita — que não se submeta à política imposta pelo imperialismo.
“O projeto de Alexandre de Moraes não é novo. É o projeto dos mesmos militares que comandaram a tortura e que continuam mandando no país. São os banqueiros, a Rede Globo, os capitalistas que sustentaram a ditadura de 64 e que hoje sustentam o STF como instrumento de repressão” afirmou Henrique.
Ele apontou a hipocrisia de setores da esquerda pequeno-burguesa que hoje vão às ruas defender o mesmo Judiciário que perseguiu seus próprios dirigentes e que está desmontando os poucos direitos democráticos ainda existentes no país. Henrique alertou que, ao aplaudir a prisão arbitrária de bolsonaristas, essa esquerda está preparando o terreno para que, amanhã, ela própria seja vítima da repressão.
“O que estamos vendo é uma esquerda que acha bonito pedir prisão, censura e perseguição. Mas quem define quem será preso amanhã? Se hoje é o bolsonarista, amanhã será o militante, o estudante, o grevista. E o Judiciário não precisa de provas, não precisa de processo: basta um despacho e pronto, está cassado, preso, censurado” disse.
Os outros companheiros que falaram na manifestação também reforçaram que o STF tem ultrapassado até mesmo os métodos da Ditadura militar, promovendo censura prévia, calando vozes nas redes sociais, proibindo manifestações políticas e criminalizando a atuação de partidos e organizações populares.
O dirigente estadual do PCO em São Paulo, Francisco Muniz, também destacou a importância do ato, mesmo que não tenha reunido uma multidão. Para ele, foi o primeiro passo na consolidação de uma frente de luta contra a ditadura judicial e o novo golpe em curso.
“Foi uma importante iniciativa para mostrar que há um setor da esquerda que não se curva ao STF. Os presentes demonstraram disposição e consciência. Esse foi o começo de um movimento que irá se fortalecer”.
O ato se encerrou com uma confraternização entre os presentes, com feijoada e música, e uma palestra-debate Palestra-debate: “61 anos do golpe militar imperialista – como combater o imperialismo hoje”, apresentada pelos dirigentes nacionais do PCO, Antonio Carlos e João Jorge.
O debate pode ser assistido no canal Causa Operária TV no YouTube no link:
https://www.youtube.com/watch?v=fBtdaWquJGk