O governo do estado da Bahia, chefiado pelo petista Jerônimo Rodrigues, está caçando as lideranças dos índios do povo Pataxó no Extremo Sul da Bahia, principalmente os que estão na luta pela demarcação das Terras Indígenas Barra Velha do Monte Pascoal e Comexatibá, nos municípios de Porto Seguro, Prado e Itamaraju.
Através do secretário de segurança pública, Marcelo Werner, e do secretário de relações institucionais, Adolpho Loyola, iniciaram uma verdadeira caçada contra as lideranças Pataxó da região através da Operação Pacificar.
No dia do ataque criminoso do governo do estado (20/3), 150 policiais fortemente armados invadiram com bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e muita violência uma série de retomadas Pataxó com as fotos e nomes de lideranças para prender e perseguir quem luta pela demarcação.
“Apreenderam” cerca de 32 celulares e identificaram, através de fotos e documentos, quem não estava “fichado” pela criminosa polícia do estado da Bahia.
O que chamou a atenção nesses ataques realizados pela polícia a mando do governo do estado foi que a operação não intimou, revistou, realizou busca e apreensão, conversou ou sequer entrou em nenhuma fazenda onde os fazendeiros organizam a pistolagem. Também nenhuma entidade dos latifundiários que organizam a pistolagem como o Casarão Brasil, Invasão Zero ou sindicatos rurais foi “incomodada” pelo governo do estado, mesmo com toda a violência praticada contra os índios.
Na semana anterior, o índio Vitor Braz foi brutalmente assassinado dentro de uma retomada devido a uma emboscada, que deixou outro índio gravemente ferido. A residência do cacique da Aldeia Monte Dourado, localizada na Terra Indígena Comexatibá, foi incendiada no mesmo dia. A família do Cacique conseguiu fugir e ninguém ficou ferido.
Esses dois ataques ocorreram no mesmo dia em que ocorria uma audiência pública em Brasília (DF) para discutir a demarcação das terras indígenas no Sul e Extremo Sul da Bahia, em que lideranças dos povos Tupinambá e Pataxó estavam participando.
Esses ataques sequer foram citados nas falas dos secretários Marcelo Werner e Adolpho Loyola, e muito menos nas palavras do governador Jerônimo Rodrigues, que se diz índio.
Pelo contrário, os três citados acima deram declarações apenas de combate ao “crime” organizado na região, tratando os índios que lutam pela demarcação como criminosos. Jerônimo Rodriguez em entrevista ao portal de notícias Bahia.ba chegou a responder que existem não-índios infiltrados, o mesmo discurso da direita latifundiária assassina. “Jerônimo também declarou que há pessoas se passando por indígenas para criar conflitos. ‘Tem sim! Tem gente aproveitando a oportunidade de uma pauta séria, que é o território indígena. Eu nunca me furtei disso. Pelo contrário, assumi meu lugar de descendente indígena. Mas não vou aceitar que nenhum lado crie tumulto e manche a imagem da Bahia’, declarou.”
Está cada vez mais evidente que apesar de todo identitarismo e demagogia realizada pelo governo do estado com os índios, quem está se aliando aos latifundiários e organizando a repressão contra os índios para impedir as demarcações é o próprio governo do estado da Bahia. Está se utilizando do que há de mais retrógado e fascista dentro do estado, que são as forças de repressão, para organizar a perseguição política, prisões, violência e assassinatos da polícia para atacar quem luta pela terra na Bahia.
Essa ação está deixando os latifundiários à vontade para organizar suas milicias criminosas, como o Invasão Zero, para atacar não somente os índios, mas também os sem terra como ocorreu na última sexta-feira o município de Guaratinga, localizada na mesma região.