Quando você estuda harmonia numa escola de música, seu professor vai falar de “empréstimo modal”. E ele vai mostrar como exemplo a canção “Trem Azul”, de Lô Borges. Empréstimo modal é quando você coloca um acorde que não faz parte do campo harmônico de uma certa sequência de acordes. E não pode ser qualquer acorde. Há tabelas que mostram quais empréstimos modais são possíveis em cada modo. É uma coisa complicada pra dedéu. Normalmente, você coloca um ou dois empréstimos modais numa canção, e isso já é considerado ousado. No caso de “Trem Azul”, quase toda a canção é formada por empréstimos modais. É por isso que é bem difícil pegar o violão e tirar essa música de ouvido. Você instintivamente vai substituir os empréstimos modais por acordes naturais ao campo harmônico, adulterando a canção.
E o mais impressionante de tudo isso é que Lô Borges nunca estudou harmonia e nunca ouviu falar de empréstimo modal. Tem músico que já nasce com o ouvido virado pra lua.