O blogue Revista Movimento, pertencente ao grupo Movimento Esquerda Socialista (MES), do PSOL, onde demonstra sua total submissão ao imperialismo. O artigo em questão, intitulado “COP 30: catalisar uma retomada da luta socioambiental” faz uma apologia da política ambientalista farsesca do imperialismo, a qual busca submeter os países atrasados a uma situação de submissão total, impedindo-os de explorar seus recursos naturais e de desenvolver suas forças produtivas.
O articulista se queixa logo no começo: “O cenário ambiental catastrófico vem sendo agravado pelas dinâmicas políticas. Conservadorismos nacionalistas, fundamentalismos religiosos e neofascismos vêm avançando através da polarização contra a ordem globalista”. A colocação já deixa claro o alinhamento do MES com o imperialismo, aí chamado de “ordem globalista”. Para o grupo, o grande problema do mundo são os nacionalistas, os religiosos e um suposto “neofascismo”. O imperialismo, que oprime todos os países da Terra, promove genocídio em Gaza e em outros lugares e procura manter a maior parte da população do mundo em uma situação de pobreza, não é problema algum.
A crítica abstrata ao governo Trump, agora bastante frequente nas análises de conjuntura dos grupos esquerdistas, aparece para justificar sua tese da questão do ‘neofascismo’: “Agora, com a eleição de Trump, racismo, xenofobia e intolerância se somam ao fossilismo e ao negacionismo da ciência ditando a política no coração do capitalismo. O novo governo dos EUA já ameaça promover anexações territoriais ao estilo do “big stick”, indicando que atuará como um estado “fora da lei”, ao arrepio do ordenamento jurídico internacional que Washington estabeleceu depois da II GM”.
É interessante observar que a questão do racismo, da xenofobia e da intolerância nada têm a ver com o problema ambiental, mas são mencionados aí porque o alinhamento dessa política com o identitarismo e, portanto, com o imperialismo, é direto. Mais à frente, é colocado de forma mais direta as políticas de Trump que são contra o ambientalismo: “Trump retirou novamente os EUA dos acordos climáticos, combate as propostas de transição energética e promete a expansão ilimitada da extração dos combustíveis fósseis. No combate às formas contemporâneas do fascismo, a luta anti-imperialista mais clássica se torna inseparável da luta ambiental”.
É evidente que Trump está procurando se desvincular dos pactos criados pelo imperialismo para conterem a exploração de recursos naturais e o desenvolvimento, já que Trump defende uma política totalmente oposta à deles. Ao fim do parágrafo, uma afirmação totalmente errada, de que a luta contra o imperialismo estaria junto com a luta ambiental, mas é exatamente o oposto.
Aqui no Brasil se verificou esse fato com a questão da Margem Equatorial. Uma gigantesca reserva de petróleo está no fundo do oceano e pode impulsionar a economia de estados nas regiões mais pobres do país, além da própria economia nacional, e o grupo de Sâmia Bomfim se posicionou prontamente contra essa exploração, aliando-se a Marina Silva e ao imperialismo que a financia.
O grupo, que se reivindica trotskista, faz uma grande propaganda da COP-3O, que irá ocorrer em Belém neste ano. Eles consideram o evento uma oportunidade única para “reconquistar a independência política dos explorados e oprimidos e soldar as lutas sociais, ambientais e anti-imperialistas em novos patamares de coerência, organização e mundialização”, sem considerar que se trata de uma atividade organizada pelo imperialismo para pressionar países como o Brasil a permanecerem em situação de subdesenvolvimento.
Nesse sentido, é o evento menos propício de todos para “reconquistar a independência dos explorados”, mas é perfeito para atacar o governo Lula e qualquer iniciativa de exploração de petróleo e desenvolvimento industrial que ele porventura possa defender, mesmo acuado da forma como se encontra no momento atual.
A matéria conclui dizendo “O convite a Belém é o chamado à um salto de qualidade na luta de massas, única forma de destravar a luta ecológica, social e anti-imperialista, a luta ecossocialista!”. É preciso dizer claramente, sobre isso: o “ecossocialismo” é uma das inúmeras tentativas do imperialismo de perverter, corromper e desmoralizar totalmente a luta pelo socialismo e o marxismo.
Qualquer pessoa que se considere realmente revolucionária deve rejeitar totalmente essa política mentirosa e pró-imperialista. Grupelhos como o MES não têm nenhum interesse em levar adiante uma verdadeira luta revolucionária. Sua existência é apenas para servir aos interesses dos maiores inimigos da classe operária do planeta.