Na noite do último sábado (28/3), o índio Pataxó identificado como Wanderson foi brutalmente assassinado a tiros quando voltava para sua casa na Aldeia Boca da Mata, dentro da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, município de Porto Seguro, extremo Sul da Bahia.
Wanderson é o terceiro índio Pataxó executado em menos de duas semanas. No dia 11 de março, Vitor Braz e outro índio que estava na garupa sofreram uma embocada e foram assassinados. Eles eram moradores da Aldeia Terra Vista, próximo à aldeia Boca da Mata e sofreram o ataque a caminho de sua residência.
No dia 16 de março, o índio Pataxó Célio Santana Neves, de 33 anos, estava encostado em uma cerca, quando uma motocicleta com dois homens encapuzados chegou ao local, onde realizaram a execução também na aldeia Boca da Mata.
São pelo menos três assassinatos numa região de conflito com latifundiários e onde o governo do estado está realizando uma operação para perseguir e prender lideranças dos índios que estão lutando pela demarcação da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal.
Devido ao comportamento do governo do estado da Bahia, do petista Jeronimo Rodrigues, e seus secretários Marcelo Werner (Segurança Pública) e Adolpho Loyola (Relações Institucionais), que estão colocando as forças policiais para, conjuntamente com os latifundiários da região, perseguir os índios Pataxó, as investigações apontarão para o crime organizado.
Isso ajuda a política aplicada pelo governador Jerônimo em atacar os índios, colocando mais polícia e mais repressão contra os Pataxó ao mesmo tempo que esconde a operação criminosa de identificação e prisão de lideranças que estão nas áreas das retomadas.
Governo da Bahia lança uma operação criminosa contra os índios
Após ataques e assassinatos contra os índios realizado pelos latifundiários, o governo Jerônimo Rodriguez lançou a criminosa Operação Pacificar organizada pelos secretários Marcelo Werner, Secretária de Segurança Pública, e Adolpho Loyola, Secretário de Relações Institucionais (Serin), que tem como alvo impedir a demarcação das Terras Indígenas Comexatibá e Barra Velha do Monte Pascoal no Extremo Sul da Bahia, nos municípios de Prado, Itamaraju e Porto Seguro.
A operação vem no sentido de fortalecer os latifundiários e as milícias de pistoleiros que aterrorizam e assassinam os índios em toda a região. A operação conta com cerca de 150 policiais, selecionou nomes e fotos de lideranças Pataxó para serem presas, roubou celulares dos índios e prendeu 25 índios em apenas um dia, sendo que 11 ainda estão presos.
Toda essa operação criminosa do governo da Bahia precisa ser denunciada amplamente. Ela fortalece a violência contra os índios Pataxó, que vêm sendo massacrados pelos latifundiários e pelas polícias militar e civil.
É preciso impedir a polícia de entrar nas terras dos índios e das áreas retomadas, pois estas forças estão intimamente ligadas aos latifundiários e à violência contra os índios. Outra tarefa imediata é a criação de comitês de autodefesa dos índios Pataxó diante da pistolagem e da perseguição do estado para que a segurança das áreas seja realizada pelos próprios índios das retomadas.
Por fim, é necessário exigir a libertação imediata dos 11 índios ainda presos na operação criminosa realizada pelo governo Jerônimo e o fim de todos os processos e acusações fraudulentas da Secretaria de Segurança e da polícia.