Durante sua viagem à Ásia, o presidente Lula teceu alguns comentários sobre o julgamento que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) réu por suposta tentativa de golpe de Estado.
“É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país, é visível por todas as provas que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente, para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira”, disse o presidente petista em entrevista coletiva.
A fala se contradiz com o que o próprio presidente disse há pouco mais de um mês, na ocasião da apresentação da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o líder da extrema direita. Na época, Lula disse que, no Brasil, havia “presunção de inocência”, e que este princípio seria respeitado, mesmo no caso de seu rival.
Em mais uma declaração contraditória, Lula também declarou, após o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que Bolsonaro “deveria provar a inocência dele”. “Prova que é inocente e vai ficar livre e acabou”, disse Lula.
Seguindo o mesmo raciocínio, Lula ainda disse a Bolsonaro: “ao invés de chorar, caia na realidade e saiba que você cometeu um atentado contra a soberania desse país”.
Para Lula, Bolsonaro já está condenado, mesmo sem ter sido julgado ainda. Qual o motivo? Por que Lula se sente tão confiante de que seu rival é culpado? Não se trata de “cair na realidade”. A confiança de Lula vem da imprensa burguesa. Como a rede Globo, a Folha de S.Paulo e o Estado de S. Paulo endossam a atividade ilegal do STF, Lula considera que tudo o que ocorre a Bolsonaro é legítimo.
Por princípio, ninguém deveria assumir o que diz o STF, a Polícia Federal e o Ministério Público como verdade. O mais grotesco, no entanto, é que o caso de Bolsonaro é, visivelmente, um caso de perseguição política. Mais grave, em vários aspectos, à perseguição deflagrada contra Lula durante os anos de 2012 a 2019.
Bolsonaro é vítima de um processo-farsa, que faz uso do dispositivo da delação premiada e que é baseado em um relatório da Polícia Federal que não apresenta provas, mas sim um amontoado de “fatos” que, por si só, não dizem nada. Assim como anteriormente o regime político perseguiu Lula para impedir que ele se tornasse presidente, o regime agora tenta excluir Bolsonaro do processo eleitoral.
Ainda que Bolsonaro seja um inimigo do lulismo, aliar-se ao Judiciário não favorecerá a esquerda. Pelo contrário. Ao fazê-lo, Lula fortalece um inimigo muito mais perigoso e, ainda, se indispõe com milhões de apoiadores de Bolsonaro que, corretamente, veem em seu líder uma figura perseguida pelos poderosos.





