Brasil

Jagunços armados atacam camponeses no Sul da Bahia

Trabalhadores denunciam que os pistoleiros chegaram em várias caminhonetes com as quais bloquearam a entrada do acampamento e fizeram diversos disparos com arma de fogo

Famílias de camponeses do acampamento Lindaura Ferreira Lima do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Guaratinga, extremo sul da Bahia, foram atacados na manhã da última sexta-feira (28) por um grupo de fazendeiros e seus pistoleiros, todos armados e com os rostos encapuzados.

Os trabalhadores denunciam que os jagunços chegaram em várias caminhonetes com as quais bloquearam a entrada do acampamento e fizeram diversos disparos com arma de fogo ameaçando os moradores e exigindo que se retirassem do local o que caracteriza uma ação de despejo ilegal. Um dos camponeses acampados foi espancado e teve o seu braço quebrado pelos criminosos.

Esse é último desenvolvimento de uma verdadeira guerra dos latifundiários contra os trabalhadores sem terra e índios, que vem recrudescendo em todo o estado da Bahia e é levada adiante tanto por grupos paramilitares formados pelos fazendeiros e seus capangas quanto pelas própria força repressiva estatal como as polícias militar e civil.

Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado da Bahia é onde mais acontecem conflitos no campo, sendo as maiores vítimas os quilombolas, índios e trabalhadores sem terra.

“Quem falha conosco primeiro é o Estado que não demarca o território. Nós temos a Constituição ao nosso lado, mas ela é rasgada sempre! Porque não temos direito a terra e território, não temos direito a água, não temos direito de ir e vir”, afirmou Rejane Rodrigues, liderança sem terra do quilombo Quingoma que está ameaçada de morte por sua luta em defesa de sua comunidade.

Além de exigir por parte do governo a imediata demarcação da terra para os povos do campo, é preciso defender o direito dessa população de se armar e se organizar para realizar a sua própria autodefesa contra a violência latifundiária e estatal.

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