Um adolescente palestino-brasileiro foi assassinado sob custódia israelense na prisão de Megiddo, localizada no norte da Palestina ocupada. Walid Khaled Abdullah Ahmad, de 17 anos, natural de Silwad, próximo a Ramalá, foi detido em 30 de setembro de 2024, permanecendo preso sem julgamento até sua morte, confirmada pela Comissão de Assuntos de Detentos e Ex-Detentos Palestinos e pela Sociedade dos Prisioneiros Palestinos (PPS).
A morte de Ahmad eleva para 300 o número de palestinos assassinados sob custódia israelense desde o início da guerra genocida contra Gaza, sendo 63 provenientes da região sitiada. Organizações de direitos humanos denunciam que este é o período mais mortal para prisioneiros palestinos desde 1967, destacando a intensificação das práticas brutais do regime sionista contra os presos políticos.
Sem fornecer detalhes sobre as circunstâncias da morte, o Serviço Prisional de “Israel” se limitou a confirmar que um “detento de segurança de 17 anos da Cisjordânia faleceu na prisão de Megiddo”, alegando preocupações com a “privacidade” para ocultar mais informações. A falta de transparência sobre a situação dos prisioneiros, especialmente os de Gaza, permanece uma prática sistemática das autoridades de ocupação.
A prisão de Megiddo é conhecida por seu histórico de torturas e maus-tratos contra presos palestinos, com denúncias recorrentes de violência física, negligência médica e condições desumanas. Segundo a Comissão dos Prisioneiros, a prisão se destaca como um dos principais centros de repressão contra os detidos palestinos, contando com inúmeras acusações de abusos e atos de tortura por parte das unidades de supressão israelenses.
A morte de Ahmad ocorreu em um contexto de crescente repressão nas prisões israelenses, onde mais de 9.500 palestinos permanecem detidos, incluindo 350 crianças e 21 mulheres. Entre eles, 3.405 estão presos sob detenção administrativa, sem qualquer acusação formal ou julgamento. Organizações de direitos humanos têm alertado para o agravamento das condições de saúde e para os casos de negligência médica deliberada, utilizados como instrumentos de execução lenta e silenciosa.
A brutalidade contra os detentos palestinos não se limita à tortura física e psicológica, mas também ao sequestro dos corpos após a morte. Atualmente, “Israel” mantém os corpos de 72 prisioneiros mortos em custódia, sendo 61 deles assassinados desde o início da agressão genocida contra Gaza. A prática é parte de uma política de terror e humilhação contra as famílias e a Resistência Palestina, que há décadas enfrenta a ocupação sionista e seu regime racista e genocida.
A situação crítica nas prisões israelenses levou a Relatora Especial da ONU sobre Tortura e Outros Tratamentos Cruéis Alice Jill Edwards, a pedir uma investigação urgente e independente sobre as circunstâncias das mortes de prisioneiros palestinos. No entanto, a comunidade internacional segue omissa diante dos crimes cometidos pelo regime sionista.
Nota do Hamas
Em nome de Deus, o mais gracioso, o mais misericordioso
Comunicado de imprensa
A ocupação sionista continua seus crimes contra nossos heroicos prisioneiros em suas prisões, o mais recente dos quais foi o martírio do jovem prisioneiro Walid Khaled Ahmad (17 anos) da cidade de Silwad, no Governadorado de Ramala, que ascendeu à sua morte na prisão de Megiddo como resultado de tortura e negligência médica deliberada.
Ao lamentarmos este heroico prisioneiro, afirmamos que a tortura e o abuso aos quais nossos prisioneiros estão submetidos constituem um crime de guerra completo, violando todas as convenções internacionais e humanitárias, e encarnando a política extremista do governo da ocupação de assassinar prisioneiros por meio de execução lenta.
Advertimos que a continuidade dessas violações contra os prisioneiros não passará sem resposta. Nosso povo e nossa resistência permanecem comprometidos com nossos prisioneiros livres, cuja vontade não será quebrada pela brutalidade da ocupação, e cuja certeza de que sua liberdade é iminente e inevitável não lhes será retirada.
Conclamamos todas as organizações humanitárias e de direitos humanos a assumirem suas responsabilidades e tomarem medidas urgentes para pressionar a ocupação a interromper seus crimes contra os prisioneiros. Também convocamos nosso povo na Cisjordânia a continuar sua militância e apoio aos prisioneiros e às causas justas do nosso povo.
Movimento de Resistência Islâmica – Hamas
Segunda-feira: 24 de Ramadã de 1446 AH
Correspondente a: 24 de março de 2025