Oriente Próximo

Irã: EUA poderão nos forçar a desenvolver bomba atômica

Regime persa reagiu às ameaças do presidente norte-americano Donald Trump

Em discurso proferido nessa segunda-feira (31), o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou que o país retaliará caso seja atacado, em resposta à recente ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de bombardear a nação persa.

Em uma entrevista à NBC News no domingo (30), Trump havia afirmado que, caso o Irã não aceite seu acordo e desacelere seu programa nuclear, será bombardeado.

“Se não fizerem um acordo, haverá bombardeio. E será um bombardeio como eles nunca viram antes.”

O aiatolá respondeu dizendo que qualquer ataque desse tipo encontrará uma forte retaliação.

“Os EUA e o regime sionista ameaçam cometer atos viciosos. Claro, se tais atos viciosos forem cometidos, eles definitivamente receberão um golpe forte e recíproco”, publicou Khamenei em seu perfil no X.

“Se os EUA e o regime sionista estão pensando em instigar uma sedição dentro do Irã, como fizeram em alguns anos anteriores, a nação iraniana responderá por si mesma”, acrescentou.

As provocações de Trump contra o programa nuclear iraniano não iniciaram agora. Durante seu primeiro mandato presidencial, Trump retirou-se unilateralmente do Plano de Ação Conjunto e Abrangente (JCPOA) de 2015, um acordo internacional para reduzir o programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções internacionais sobre o país persa. Após a retirada dos EUA e a retomada das sanções, o Irã teria reduzido sua conformidade com o acordo.

O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse no final do ano passado que o Irã estava intensificando seu enriquecimento de urânio para 60% de pureza e expressou preocupação. O material precisa ser enriquecido em cerca de 90% para ser considerado de grau bélico.

O Irã rejeitou a acusação e insistiu que seu programa nuclear é pacífico e legal dentro dos “quadros internacionais”.

No início de março, Trump disse ter enviado uma carta a Khamenei sugerindo a retomada das negociações sobre o acordo e especificou que estava dando ao Irã dois meses para cumprir.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, respondeu pedindo que Washington reconstrua primeiro a confiança com o Irã, que foi quebrada pelos EUA. Durante uma reunião de cúpula no domingo, ele recusou conversas diretas, mas afirmou que “o caminho para negociações indiretas está aberto”.

No mesmo dia em que Khamenei prometeu retaliar eventuais ataques norte-americanos, o seu conselheiro Ali Larijani fez declarações ainda mais contundentes.

“Não estamos caminhando em direção a armas nucleares, mas se vocês fizerem algo errado na questão nuclear iraniana, vocês forçarão o Irã a seguir esse caminho, porque ele precisa se defender”, disse o conselheiro a uma emissora estatal.

“O Irã não quer fazer isso, mas… (ele) não terá escolha”, acrescentou. “Se em algum momento vocês avançarem para bombardear, seja sozinhos ou através de Israel, vocês forçarão o Irã a tomar uma decisão diferente”.

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