Editorial

Imperialismo não esconde que quer um Milei para o Brasil

Emissora norte-americana celebra “bons resultados” do ditador neoliberal

No dia 31 de março de 2025, dois artigos publicados pela emissora norte-americana CNN apresentaram uma defesa descarada do governo ultraneoliberal de Javier Milei, o presidente da Argentina, e criticaram o Brasil e o seu atual governo. Tais análises não só pintam Milei como um modelo de sucesso, mas também apresentam que o caminho adotado pelo Brasil é o errado, contrastando o “sucesso” de sua política econômica com a suposta ineficiência do Brasil sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

A análise de Lourival Sant’Anna, em sua matéria intitulada Bons resultados podem melhorar governabilidade de Milei, destaca a suposta queda dos índices de pobreza na Argentina, a suposta recuperação econômica e a suposta redução da inflação, celebrando a gestão de austeridade do governo de Milei. No entanto, o artigo não se detém nos altos custos sociais dessas medidas, que estão levando a uma revolta generalizada da população.

Já a análise de Rita Mundim, intitulada Recuo da pobreza na Argentina mostra eficiência de Milei, coloca a valorização do peso argentino e a redução da inflação como exemplo de eficácia das políticas neoliberais de austeridade fiscal. Ao comparar o sucesso da Argentina com a desvalorização do real e a economia brasileira “desordenada”, Mundim coloca Milei como um exemplo a ser seguido. Ela chega a compará-lo a uma “Singapura da América Latina”.

O que esses artigos ignoram é o caráter profundamente autoritário de Milei e as suas políticas que visam destruir conquistas sociais históricas.

A realidade é que o imperialismo norte-americano e sua imprensa veem em Milei um empregado perfeito para implementar a sua política de destruição da economia dos países. Ele é, aos olhos dos Estados Unidos, o modelo a ser seguido: um “líder” disposto a abrir mão da soberania nacional e submeter seu país às exigências do grande capital.

Os elogios a Milei explicam a situação política do Brasil. Mostram que o imperialismo não está disposto a permitir que nem mesmo um governo de reformas muito moderadas, como o governo Lula, fique de pé. O imperialismo quer para o Brasil alguém que esteja comprometido com a mais completa destruição de sua economia – algo como foi Fernando Henrique Cardoso.

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