Palestina

Hamas denuncia novo crime de guerra de ‘Israel’ em Rafá

A invasão terrestre foi acompanhada, na segunda-feira (31), da emissão de uma nova ordem de evacuação para a população de Rafá

No sábado (29), as forças de ocupação sionistas lançaram uma nova fase da ofensiva genocida contra o povo palestino, iniciando uma invasão terrestre na cidade de Rafá, no extremo sul da Faixa de Gaza. A operação, conforme divulgado por um porta-voz militar de “Israel”, concentra-se no bairro de Al-Junina e tem como objetivo expandir a chamada “zona de segurança” — expressão usada pelo regime sionista para encobrir a anexação de território palestino sob ocupação militar. Durante a operação, o exército de ocupação destruiu infraestruturas civis sob a alegação de atingir instalações da Resistência Palestina.

A ofensiva ocorre em meio à intensificação dos bombardeios aéreos e terrestres contra civis em toda a Faixa de Gaza, que já resultaram na morte de 50.277 palestinos desde 7 de outubro de 2023, segundo os dados do Ministério da Saúde. Só entre os dias 18 e 31 de março, foram assassinadas 1.001 pessoas, com mais de 2.300 feridos, muitos dos quais permanecem sem acesso a cuidados médicos devido à destruição do sistema de saúde pelo exército sionista.

A invasão terrestre foi acompanhada, na segunda-feira (31), da emissão de uma nova ordem de evacuação para a população de Rafá. A ordem foi denunciada pelo Ministério do Interior de Gaza como mais uma tentativa criminosa de forçar o deslocamento em massa dos palestinos.

O ministério alertou para as “consequências catastróficas” da expulsão dos civis que ainda resistem na cidade, destacando que a população está sob contínuos ataques aéreos e que não existem locais seguros em Gaza para onde essas pessoas possam se refugiar. A nota do ministério afirma que essas ameaças renovadas “agravam a situação causada por 18 meses de genocídio, deslocamento e evacuações forçadas, enquanto o mundo assiste em silêncio.”

A política de deslocamento forçado já é abertamente defendida pelo primeiro-ministro sionista Benjamin Netaniahu, que afirmou no parlamento que, caso o Hamas não liberte os prisioneiros israelenses, “quanto mais o Hamas continuar se recusando a libertar nossos reféns, mais poderosa será a repressão que exerceremos”, incluindo a “tomada de territórios” palestinos.

Diante da escalada da repressão e da destruição deliberada de Gaza, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) emitiu uma nota contundente condenando os novos crimes de guerra cometidos pela entidade sionista. A seguir, a nota do Hamas na íntegra:

“Em Nome de Alá, o Mais Misericordioso, o Mais Gracioso

A evacuação forçada dos moradores da província de Rafá pelo exército de ocupação sionista, sob o peso de massacres e bombardeios criminosos, é um crime de guerra e uma perigosa escalada na agressão contra nosso povo palestino.

Forçar os moradores da província de Rafá a evacuar sob bombardeios implacáveis e massacres, e o deslocamento de dezenas de milhares de civis inocentes, constitui uma flagrante violação do direito internacional e do direito internacional humanitário — um crime completo de deslocamento forçado e limpeza étnica.

Este novo crime visa aprofundar o sofrimento do nosso povo desarmado e agravar ainda mais a situação humanitária catastrófica resultante do genocídio, cerco e fome impostos pela ocupação à nossa população indefesa.

Nós, do Movimento Hamas, apelamos aos líderes dos países árabes e islâmicos, à comunidade internacional e às Nações Unidas para que ajam imediatamente e pressionem a ocupação para cessar seus crimes contínuos contra nosso povo na Faixa de Gaza.

Responsabilizamos plenamente o governo fascista de ocupação — e a administração norte-americana que lhe dá cobertura para continuar seus crimes — pelas consequências deste crime e do genocídio contínuo contra nosso povo. Conclamamos todas as instituições, em especial o Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Internacional de Justiça, a tomarem medidas urgentes e ativarem os procedimentos legais contra a ocupação e seus líderes terroristas, responsabilizando-os por seus crimes contra a humanidade.

Movimento de Resistência Islâmica – Hamas  

Segunda-feira, 2 de Shawwal de 1446 H  

Correspondente a 31 de março de 2025″

A denúncia do Hamas reflete a realidade vivida diariamente pelos palestinos na Faixa de Gaza. As estruturas básicas de sobrevivência foram sistematicamente destruídas: 34 hospitais foram bombardeados, 80 centros de saúde estão fora de serviço, e ao menos 1.402 profissionais de saúde foram assassinados. O bloqueio imposto à entrada de alimentos e suprimentos básicos agravou ainda mais a situação.

A Organização das Nações Unidas informou que os estoques de farinha nas padarias devem se esgotar em uma semana, enquanto a distribuição de alimentos foi cortada pela metade. Mercados estão vazios, e centenas de pessoas permanecem soterradas sob os escombros sem que possam ser resgatadas.

Apesar do silêncio das potências imperialistas, a mobilização popular em apoio à Palestina cresce em toda a região. Na segunda-feira (31), milhares de egípcios saíram às ruas após as orações do Eid al-Fitr, em diversas cidades, para manifestar sua solidariedade com os palestinos.

Em Hurghada, os manifestantes empunhavam bandeiras do Egito e da Palestina e gritavam palavras de ordem em defesa da resistência contra o genocídio promovido por “Israel”. No Cairo, uma manifestação foi organizada diante da mesquita Al-Hussein.

O povo egípcio também rechaçou os rumores de que o governo estaria preparando a instalação de palestinos em território egípcio, como parte dos planos imperialistas para a expulsão da população de Gaza. Em resposta, o governo do Egito reiterou que rejeita qualquer tentativa de transferir palestinos para o Sinai ou para qualquer outro local fora da Palestina.

A Autoridade de Informação do Estado (SIS) declarou que tais alegações são falsas e que contradizem a posição firme e pública do Egito desde o início da guerra genocida em outubro de 2023. O governo egípcio afirmou que a expulsão dos palestinos representa a liquidação da causa nacional palestina e ameaça diretamente a segurança nacional do Egito.

A declaração reafirma que o plano apresentado no encontro de cúpula árabe realizado no Cairo — que prevê a reconstrução de Gaza sem a remoção de nenhum palestino — foi aprovado por unanimidade. Enquanto isso, as potências imperialistas, com destaque para os Estados Unidos, seguem fornecendo apoio militar e diplomático ao regime sionista, permitindo a continuidade da guerra genocida contra o povo palestino. A resistência palestina, por sua vez, segue mobilizada, denunciando os crimes do regime de ocupação e conclamando os povos do mundo a se posicionarem contra mais esse capítulo da limpeza étnica promovida por “Israel”.

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