Peru

Greve da Comacsa já ultrapassa 70 dias, operários não recuam

Empresa foi comprada pelo monopólio suiço Holcim, operários lutam por aumento salarial e melhores condições de trabalho

O Sitramac, sindicato dos trabalhadores da Comacsa, filiado à FETRIMAP-CGTP, que por sua vez é filiada à IndustriALL Global Union no Peru, iniciou uma greve em 6 de dezembro de 2024, após a ação ser aprovada pelo ministério do trabalho.

O sindicato pediu a intervenção do ministério do trabalho e de outras autoridades, uma vez que a Holcim não apresentou nenhuma proposta de aumento salarial.

A empresa suíça Holcim, do ramo da produção de cimento, adquiriu todas as ações e operações da empresa peruana Comacsa em agosto de 2024. No entanto, a empresa se recusa a melhorar as condições financeiras dos trabalhadores, que afirmam que a Holcim ainda não concordou com nenhum dos termos financeiros estabelecidos em sua proposta de acordo coletivo.

Os trabalhadores condenam o fato de que, apesar da forte posição financeira da Holcim globalmente, a Comacsa ainda não respondeu às suas reivindicações por aumentos salariais ou melhorias nas condições de trabalho. Nossa luta apenas começou, caros colegas, e iremos até o fim”, disse o secretário-geral da FETRIMAP-CGTP, Gilmer Ibañez Melendrez.

Segundo o líder sindical, a disputa ainda não foi resolvida, mesmo após o sindicato solicitar a intervenção do ministério do trabalho do Peru. Alexander Ivanou, diretor da IndustriALL para as indústrias de vidro, cimento, cerâmica e setores associados, declarou:

“A IndustriALL está totalmente solidária com os trabalhadores da Comacsa em sua corajosa luta por condições de trabalho justas. É inaceitável que, após mais de 70 dias de greve, a Holcim ainda se recuse a atender às legítimas demandas do sindicato.

A Holcim deve respeitar o direito dos trabalhadores à negociação coletiva justa e atender imediatamente às suas reivindicações por aumentos salariais e melhores condições de trabalho. Também instamos o ministério do trabalho do Peru a tomar medidas urgentes para garantir um acordo justo e equilibrado.

Os trabalhadores não estão sozinhos – a IndustriALL e suas afiliadas continuarão apoiando sua luta até que a justiça seja alcançada. Estaremos ao lado deles e resistiremos até a vitória!”

O governo do Peru, fruto de um golpe de Estado em 2022, dificilmente atenderá as reivindicações dos trabalhadores. Mas o caminho que eles adotam é correto, é preciso lutar contra os empresários que oprimem a classe operária. Com isso também enfraquecem o regime golpista, que deve ser derrubado pela luta de todos os trabalhadores.

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