Na última sexta-feira (28), foi noticiado pela emissora South China Morning Post que a empresa chinesa CK Hutchinson, um conglomerado de Hong Kong, suspendeu a venda de dois de seus portos no Canal do Panamá.
A venda, que fora anunciada em 4 de março, deveria ser realizada no próximo dia 2 (de abril), quando seria formalizada a venda dos portos para empresa controlada pela BlackRock, esta uma empresa imperialista de especulação financeira, com sede nos Estados Unidos.
Isto ocorre na conjuntura da nova administrações dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, vir declarando intenções de o imperialismo norte-americano retomar o controle do canal do Panamá: “o canal foi construído por americanos e para americanos. Os outros podiam usá-los, mas ele levou muito sangue americano. Esse acordo foi violado muito gravemente. Nós não o demos à China, nós o demos ao Panamá, e o queremos de volta – e teremos ele de volta”, declarou Trump no início do mês.
Na ocasião, Trump comemorou o acordo inicial entre a BlackRock e a CK Hutchison para a compra dos portos, afirmando que “meu governo recuperará o Canal do Panamá e já começamos a fazer isso“.
Por outro lado, conforme editorial do jornal Ta Kung Pao de Hong Kong, qualificado por alguns como “pró-pequim”, o acordo seria uma “cooperação perfeita” com a estratégia dos EUA para conter a China e, por isto, ela deveria ser descartada pelo governo chinês.
A CK Hutchinson é liderada por Li Ka-shing, bilionário chinês. Segundo a emissora Bloomberg, em matéria publicada recentemente, autoridades chinesas teriam orientado empresas estatais a postergar quaisquer novos acordos com empresas ligadas a Li e sua família.