No último sábado (29), a direita argentina foi as ruas da capital Buenos Aires pedir a criminalização do aborto. Com cartazes e faixas contra o direito das mulheres, alguns balançavam um lenço azul-claro, símbolo do movimento antiaborto da América Latina.
Na Argentina, a lei que legalizou o aborto é de dezembro de 2020 e entrou em vigor em 2021. Conforme a lei, as mulheres têm o direito de realizar o procedimento até a 14ª semana de gestação sem a necessidade de justificar a decisão. A lei ainda garante o aborto para casos de estupro ou gestação que representa risco de vida para a gestante.
A ditadura de Javier Milei tentou revogar o direito em 2024, enviando um projeto de lei reacionário para incluir pena de prisão para mulheres e quem realizasse o procedimento (médicos, enfermeiros ou outros que utilizassem conhecimentos para favorecer a prática). O projeto de lei, no entanto, não encontrou votos suficientes para ser aprovada no legislativo.
A dimensão do ato realizado em Buenos Aires visa dar apoio a política reacionária de Milei para impor o projeto que retira o direito democrático das mulheres, colocando-as em risco. É uma investida da direita e da extrema direita contra os direitos democráticos e tem de ser respondida pelo movimento de mulheres, dos trabalhadores e da esquerda em geral, sob o risco mais um retrocesso para o povo argentino.