No dia 27 de dezembro, o portal Brasil 247 publicou o artigo Banco Master: quando uma crise financeira vira arma política, assinado por Reynaldo Aragon. Um exercício de contorcionismo intelectual para blindar o ministro Alexandre de Moraes diante das denúncias mais recentes envolvendo o Banco Master. Aragon tenta transformar um caso clássico de favorecimento em uma “crise de narrativa”, sugerindo que a investigação sobre o magistrado é uma “arma política” de desestabilização.
A tese de Aragon repousa sobre uma inversão da realidade. Ele argumenta que a liquidação do Banco Master é um “fato técnico” que está sendo indevidamente “moralizado”. Para o autor, o problema não reside no envolvimento de um ministro do Supremo com os interesses de um banco privado, mas na forma como a denúncia cria uma “atmosfera de suspeição”. Aragon quer que o leitor acredite que questionar a conduta de uma autoridade é “negar a técnica”. É o oposto. A técnica (a crise do banco) foi justamente o que permitiu ao País enxergar o esgoto político (o favorecimento). Aragon quer que fiquemos olhando para o balanço financeiro enquanto a cúpula do Judiciário opera no bastidor em benefício de escritórios de familiares.
Essa blindagem desesperada não é gratuita. Reynaldo Aragon desenvolve essa tese porque está condenado, por sua posição política, a defender Alexandre de Moraes. O articulista faz parte de uma esquerda que capitulou de tal forma diante do imperialismo e das instituições do Estado que passou a ver no STF o seu último refúgio. O que Aragon tenta vender como “defesa da democracia” é, na verdade, o resultado de uma aliança oportunista. Essa esquerda, incapaz de mobilizar as massas ou apresentar um programa real, entregou-se ao Judiciário e agora se vê na tarefa melancólica de atuar como guarda-costas de um “xerife” em naufrágio.
O artigo tenta, ainda, pintar Alexandre de Moraes como o baluarte contra o fascismo, mais uma distorção da realidade. Moraes não “combateu” a extrema direita por princípios democráticos ou algo do tipo. Ele apenas perseguiu determinadas figuras e grupos por conveniência política e eleitoral, para controlar o regime e tirar de cena aqueles que não podem ser totalmente controlados pelo grande capital. Utilizando, para tal, métodos abertamente autoritários que custarão caro ao futuro do País.
O “entulho autoritário” deixado por suas decisões, que atropelam o devido processo legal e jogam na lata do lixo a Constituição Federal, é o que Aragon tenta esconder sob o rótulo de “tecnopolítica”. Para essa esquerda capitulada, pouco importa se o método é democrático ou se há corrupção no topo do Estado, desde que o carrasco da vez esteja, momentaneamente, alinhado aos seus interesses.
Em última instância, o texto de Aragon é uma tentativa de justificar a ditadura imposta por Moraes e o Supremo contra o povo brasileiro. Ele pede uma “política adulta”, que no seu dicionário significa uma política de cumplicidade. Ao tentar transformar um escândalo concreto em um “risco histórico” para as instituições, Aragon prova que seu compromisso não é com a verdade ou com a classe trabalhadora, mas com a preservação de um regime de exceção comandado pela toga. Enquanto o País assiste à asfixia das liberdades democráticas, os “especialistas” da capitulação pedem que a sociedade feche os olhos para o balcão de negócios em Brasília em nome de uma estabilidade que só favorece os poderosos.





