As medidas direitistas do governo PT (Partido dos Trabalhadores) geralmente são tomadas sob pressão. O partido, incapaz de reagir com a mobilização, cede e vai, aos poucos, cavando a própria cova, mesmo que a ilusão diante dessas capitulações seja conseguir a reeleição em 2026. É um grande engano.
Por exemplo, a título de agradar um setor repressivo da sociedade e do próprio PT, o governo da Bahia, por meio do petista Jerônimo Rodrigues, instaurou um regime de perseguição contra os índios Pataxó que já resultou, até o momento, em 25 prisões ilegais contra os índios da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal no município de Porto Seguro (BA).
Essa política repressiva, já tradicional do governo baiano, não é uma política típica do PT, mas da direita nacional. Prender índios e manifestantes é uma política da direita. Ao invés de reagir contra essa pressão, o partido capitula, na expectativa de conseguir apoio eleitoral de um setor da classe média. No geral, a política do PT está voltada para as urnas, por isso, também, a política do “sem anistia” defendida no Brasil neste último domingo dia 30/03.
Já o governo petista do Piauí de Rafael Fonteles aderiu à mesma política dos governos de São Paulo, ou seja, de vender todas as propriedades do povo, de privatização das empresas estatais, e privatizou o fornecimento de água da população.
Trata-se da privatização da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí), criada em 1962, construída e mantida com o suor do povo trabalhador do Piauí. Agora, que todo o serviço está pronto, a exploração do serviço, ou seja, com vistas ao lucro, foi entregue para a Águas do Piauí.
Embora tenha outro nome, é a mesma empresa que comprou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), a holding Aegea, em privatização comandada pelo senhor Tarcísio, do MDB, antigo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro).
Esses são alguns exemplos de como a política geral de Lula, de não brigar e entrar em acordo com todos os setores da sociedade, se reflete em seus governos estaduais. Ao tempo em que Lula não briga com os banqueiros, os governos estaduais também não brigam com os capitalistas, pelo contrário, cedem aos seus interesses.
O governo Lula e o PT acham que isso é “saber governar”, mas se trata de uma política eleitoral. Eles entendem que ceder às pressões direitistas impedem o partido de perder votos de um setor conservador da sociedade nas próximas eleições. “Não vamos brigar” para não perder votos.
O problema dessa orientação é que se uma pessoa quer uma política direitista ela apoia o direitista original, não o que parece ser direitista. Essa política, de capitulação atrás de capitulação, explica muito como o bolsonarismo se desenvolveu, e tende a se desenvolver.
A política com relação a Jair Bolsonaro por exemplo, ou seja, de defender a repressão pura e simples (“sem anistia”) ao invés de abrir um debate sobre o que o ex-presidente defende e seu programa, vai fracassar completamente se o objetivo é derrotar o bolsonarismo.
Essa política vai sucatear completamente o partido até a sua dissolução, ou até que só reste a ala direitista dentro do partido. Esse é um reflexo da política nacional de Lula, e os demais políticos, mesmo os sem qualquer cargo, tendem a seguir a política de “não brigar”.
Fato é que se o partido quer se fortalecer e derrotar, de fato, o bolsonarismo, precisa mobilizar os trabalhadores, e para o PT é uma questão relativamente fácil, tendo em vista a quantidade industrial de sindicatos, vereadores, prefeitos e outros integrantes do partido que podem colocar nas ruas, a população em torno de suas reivindicações. Esse é o caminho de fortalecimento do partido, e também é o caminho para derrotar a direita e o bolsonarismo.