Netumbo Nandi-Ndaitwah, de 72 anos, foi eleita a primeira presidente mulher da Namíbia. Atual vice-presidente do país, ela obteve 57% dos votos na apuração realizada nesta terça-feira (25/03). Isso, por si só, já seria um excelente motivo para a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Anielle Franco, comparecer à cerimônia de posse — afinal, trata-se de uma mulher negra assumindo o comando de um país africano.
A Namíbia é composta majoritariamente por grupos étnicos africanos. De acordo com dados recentes, aproximadamente 93,2% da população é de origem africana. Seria, portanto, uma excelente oportunidade para a ministra, que se propõe a defender os direitos da população negra, prestigiar esse momento histórico. Vale lembrar que a própria Anielle fez campanha para que o presidente Lula indicasse uma mulher negra ao STF, pois segundo ela é muito importante que mulheres negras ocupem cargos de tão grande importância.
Apesar de todos esses motivos — e principalmente por causa da orientação do próprio presidente Lula para que ela representasse o Brasil na cerimônia — a ministra não viajou à Namíbia.
A direita tem usado o episódio para atacar o governo, alegando que a ausência da ministra demonstra o enfraquecimento da autoridade de Lula — o que, de fato, é uma questão importante. Mas o que também se pode observar é que a ministra não age conforme as diretrizes do presidente, e sim de acordo com os interesses das ONGs e fundações internacionais que exercem forte influência sobre setores do identitarismo no Brasil.
Se o evento fosse um encontro com Emmanuel Macron, em Paris, ou com representantes do governo Biden, nos EUA, é bem provável que Anielle não recusasse o convite, assim como nunca recusou antes.
Essa atitude da ministra escancara, mais uma vez, o erro de Lula ao integrar ao seu governo figuras que atuam mais em função de agendas externas do que do próprio interesse do governo brasileiro.