São Paulo

Americana já tem 13 mortos por dengue

O responsável pela calamidade pública é o prefeito, que faz questão de decretar estado de calamidade, colocando toda a responsabilidade da situação na população

A cidade de Americana, município do estado de São Paulo, decretou no dia 28 a situação de emergência na saúde pública da região. Com mais de 4 mil casos registrados de dengue e 13 mortes confirmadas, o município enfrenta um surto de casos que ameaça a população.

Para tentar conter a crise aberta pelo alto número de mortos, a prefeitura anunciou a contratação emergencial de serviços e a aquisição de insumos, a admissão temporária de servidores para reforçar o atendimento, a mobilização de agentes comunitários de saúde para controlar os vetores e aumentar as visitas domiciliares. Jogando para o povo a responsabilidade pela crise, a prefeitura comanda pelo direitista Chico Sardelli (PL) anunciou também campanhas educativas supostamente para “conscientização da população” e aplicação de sanções aos moradores acusados de manter focos do mosquito em suas residências, além de reforço na fiscalização de terrenos baldios com possibilidade de limpeza compulsória. Por fim, o prefeito bolsonarista anunciou também a suspensão de férias e folgas dos servidores da saúde e de outros órgãos envolvidos.

O decreto tem validade de 90 dias e pode ser prorrogado caso a situação não seja resolvida. A Secretaria de Saúde estará reunida diretamente com o executivo do município na Sala de Situação Municipal de Prevenção e Controle das Arboviroses, sendo responsável pela coordenação das ações e pelo monitoramento.

Embora o caso seja dramático, trata-se de mais uma situação à qual o trabalhador brasileiro é exposto diariamente devido ao descaso dos órgãos públicos no que diz respeito à política de melhoria e atualização da infraestrutura para o tratamento de água e esgoto, asfaltamento e saneamento das cidades. A farsa do combate ao mosquito é escancarada quando, nos períodos chuvosos, vários pontos de alagamento são observados na cidade, sendo esses pontos áreas férteis para o mosquito.

O alagamento ocorre devido ao entupimento no sistema de drenagem da cidade, provocado pela negligência na reforma e atualização da infraestrutura urbana para o escoamento da água. O maior responsável pela epidemia do mosquito é o Estado e o município de Americana, que não investem recursos em infraestrutura e modernização do saneamento.

No entanto, apesar de o evidente responsável pela calamidade pública ser o município, o prefeito faz questão de decretar estado de calamidade, colocando toda a responsabilidade da situação na esfera individual, responsabilizando e multando o trabalhador por deixar água parada, além de prejudicar os servidores em seus direitos fundamentais, como férias e folgas. A contrapartida do município para resolver de vez o problema não foi mencionada no decreto, pois, evidentemente, os recursos serão direcionados para o pagamento da dívida pública do município e para garantir os lucros fabulosos dos bancos, enquanto a população continua a morrer devido à dengue.

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