Editorial

A volta do Primeiro de Maio patronal

"Centrais sindicais" planejam manifestação com sorteio de carros, assim como era na época da ditadura militar

Neste ano, as “centrais sindicais”, como se autodeclaram as entidades criadas para se opor à Central Única dos Trabalhadores (CUT), decidiram retomar uma tradição calhorda, implementada durante a ditadura militar. Isto é, a realização de um ato de primeiro de maio patronal, dedicado a despolitizar os trabalhadores e, assim, favorecer os interesses do grande capital.

Os atos de primeiro de maio patronais, em vez de servirem para unificar os trabalhadores em torno de suas reivindicações classistas, como a redução de jornada de trabalho e o aumento do salário mínimo, bem como as suas reivindicações políticas e democráticas, sempre procuraram transformar o dia internacional de luta da classe operária em um dia de festa, e não de luta. Comandado pela Força Sindical, o primeiro de maio deste ano terá sorteio de 10 automóveis e outros brindes, visando atrair um público que concorra com um primeiro de maio combativo.

Em nota publicado pelo portal Vermelho, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que dirige a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), lê-se que as centrais sindicais têm realizado de forma unificada o ato de 1º de Maio, o Dia do Trabalhador” e que, por isso,CTB, Força Sindical, UGT, CSB, Nova Central e Pública realizarão o 1º de Maio Unificado, no Campo de Bagatelle (zona norte de São Paulo)”. Curiosamente, a única central operária de verdade, a CUT, não irá participar do ato “unificado”. De acordo com informações veiculadas pela Revista Oeste, o motivo seria justamente o sorteio de carros – isto é, o caráter da manifestação.

A participação da Força Sindical diz bastante sobre a manifestação. A entidade patronal tem como sua principal liderança o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que votou a favor do golpe de Estado de 2016. As ações da Força Sindical são sabidamente financiadas pela Bolsa de Valores e outros representantes do grande capital. A volta do ato de primeiro de maio patronal, comandado pela Força Sindical, é um dado da situação política que deve ser visto com atenção. Indica que a burguesia já está se preparando para as eleições de 2026 – e este plano, ao que parece, não envolve o Partido dos Trabalhadores (PT).

Embora não se junte ao chamado das entidades pelegas e patronais, a CUT decidiu não convocar um ato de primeiro de maio próprio, que se contrapusesse ao ato patronal. Até o fechamento desta edição, a expectativa era de que a central organizasse apenas atos locais, de menor impacto. É uma política de capitulação, que fará com que a burguesia avance com maior facilidade contra o governo Lula, deixando os sindicatos na defensiva.

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