Ascânio Rubi

Ascânio Rubi é um trabalhador autodidata, que gosta de ler e de pensar. Os amigos me dizem que sou fisicamente parecido com certo “velho barbudo” de quem tomo emprestada a foto ao lado.

Coluna

A casa caiu

A burguesia fará novamente sua escolha (não muito) difícil. Moraes, como Moro, já pode ser descartado

A ceia de Natal do ministro Alexandre de Moraes, aparentemente, azedou. Tão diligente em garantir que Bolsonaro e os envolvidos no 8 de janeiro passassem a data no xilindró, o super-herói da esquerda rosa-bebê tem poucos motivos para erguer um brinde. O todo-poderoso do STF foi pego de calças curtas no episódio do Banco Master. Enquanto vazava a notícia do contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco em processo de liquidação por fraude, Moraes optou pelo silêncio como resposta à sociedade, mas a Rede Globo – ele deveria saber – não dá ponto sem nó. Continuaram as revelações, que explicitaram as razões do milionário contrato de quase R$ 130 milhões para eventuais gestões junto ao Banco Central: esse foi o preço do lobby do ministro, que telefonou algumas vezes para o presidente da autarquia.

Às vésperas de um ano de acirrada eleição para a Presidência da República, as peças do xadrez já começam a se mover. Lula conseguiu, graças à química com Donald Trump e  a um acordo – com Supremo, com tudo –, livrar Moraes dos efeitos da Lei Magnitsky. A moeda de troca foi, possivelmente, o PL da Dosimetria, que promete reduzir drasticamente a pena de Bolsonaro. O ministro Luís Barroso preferiu abrir mão da cobiçada cadeira do STF por medo de ser atingido por Trump; a Moraes não estava dada essa opção no cenário atual.

A situação é complexa e não totalmente clara no momento. Boa parte da esquerda pequeno-burguesa adotou o discurso de defesa acrítica de Alexandre de Moraes, que estaria sendo vítima de calúnias ou ‘fake news’ da Rede Globo. Ouvintes da TV 247 chegaram a comparar Moraes com Alysson Mascaro, duas vítimas de perseguição, às quais foram imputadas acusações anônimas. Os casos são bem diferentes, mas o grau de politização da turma não é suficiente para ir além da analogia. A ordem é defender o ministro “amigo do Lula” e “paladino da democracia”.

Moraes, na verdade, é um marreco de Maringá 4.0. Para assustar a esquerda, bastou um juizeco de primeira instância investido de poderes de ocasião e munido de um claudicante discurso anticorrupção; para controlar a fúria do bolsonarismo, contrataram direto no STF um juiz com discurso de preservação da democracia e luta “antifascista”. Um e outro não passam de operadores de quem realmente tem o poder e dá as cartas. Moraes, em seu delírio, achou que o poder fosse seu – vem abusando da popularidade que ganhou de brinde de uma esquerda festeira e, é claro, vinha fazendo seus negócios. Afinal, qual é a graça de ser tão poderoso e não monetizar?

Aqueles que realmente mandam, a turma da Faria Lima e seus tentáculos, já vinham dando recados nas páginas da Folha de São Paulo e do Estadão, um editorial aqui, uma matéria acolá, mas o tal de Xandão não captou. Agora, o Globo está deixando claro que, no mínimo, o namoro está desgastado. Vale notar que a fonte secreta da jornalista deve ser o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que parece ser um nome muito bem-aceito na Faria Lima.

Cá com meus botões, penso que essa admiração da esquerda pelo ministro e a proximidade dele com Lula (vejam-se os agradecimentos públicos na inauguração do SBT News pela suspensão dos efeitos da Lei Magnitsky) não combinam com os planos da Faria Lima para a eleição. Os bolsonaristas ameaçaram boicotar a emissora das filhas de Silvio Santos por causa da cerimônia com Lula e Xandão, o cantor sertanejo Zezé di Camargo cancelou show gravado para o Natal na emissora com medo de desagradar aos fãs, tudo por causa da dupla Lula-Xandão.

A prisão de Bolsonaro não vai sustar a polarização no país: continuaremos na toada Lula vs. Bolsonaro, ainda que com Bolsonaro em versão light. Nesse cenário, um poderoso Moraes associado a Lula deixa de ter utilidade. A burguesia, ao que tudo indica, fará novamente sua escolha (não muito) difícil. Moraes, como Moro, já pode ser descartado. Só esperamos que a esquerda não vá ficar com o mico.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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