Dia de hoje na história

29/3/1973: os últimos soldados dos EUA deixam o Vietnã

Sem os EUA, o governo sul-vietnamita entrou em colapso. Em 30 de abril de 1975, forças do Norte tomaram Saigon, renomeada Ho Chi Minh, unificando o país

Na última quinta-feira (29), completaram-se 52 anos desde que os últimos soldados norte-americanos deixaram o Vietnã, em 29 de março de 1973, marcando o fim da presença militar dos Estados Unidos no país asiático. A data simboliza a vitória de uma nação que, por décadas, enfrentou potências coloniais e imperialistas em busca de sua soberania. A saga vietnamita começou na Primeira Guerra da Indochina, contra a França, e culminou na expulsão dos invasores dos EUA, com a reunificação do país em 1976.
Tudo teve início em 1946, quando o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, viu surgir a resistência liderada por Ho Chi Minh e o Viet Minh contra o domínio colonial. Após a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, que ocupava a região, a França tentou retomar o controle, desencadeando um conflito que durou até 1954. Na batalha decisiva de Dien Bien Phu, em maio daquele ano, as forças vietnamitas, com apoio logístico da China, derrotaram os franceses, forçando a assinatura dos Acordos de Genebra. O tratado dividiu o Vietnã em dois – Norte, sob governo comunista, e Sul, alinhado ao imperialismo – com a promessa de eleições para unificação, que nunca ocorreram.
A intervenção dos EUA começou a ganhar forma em 1955, quando o governo norte-americano passou a apoiar o regime sul-vietnamita de Ngo Dinh Diem, temendo a expansão comunista na Ásia. Em 1964, o incidente do Golfo de Tonkin – um suposto ataque norte-vietnamita a navios dos EUA – serviu de pretexto para a escalada militar. No ano seguinte, 184 mil soldados norte-americanos desembarcaram no Sul, número que chegou a 543 mil em 1969, segundo o Departamento de Defesa dos EUA. A guerra foi brutal: bombardeios com napalm e agente laranja devastaram o território, enquanto a resistência do Vietcong, apoiada pelo Norte, usava táticas de guerrilha em selvas e túneis.
A população vietnamita sofreu perdas colossais. Estima-se que entre 1,5 milhão e 3 milhões de civis e combatentes morreram, conforme dados do governo vietnamita e da ONU. Do lado dos EUA, 58.220 soldados perderam a vida, de acordo com registros oficiais. A guerra gerou protestos globais e, nos EUA, a pressão popular forçou negociações. Em 27 de janeiro de 1973, os Acordos de Paris foram assinados, estipulando a retirada das tropas norte-americanas em 60 dias. Em 29 de março, o último militar deixou Saigon, encerrando uma invasão que custou bilhões de dólares e revelou os limites da maior potência imperialista do mundo.
A luta, porém, não parou ali. Sem os EUA, o governo sul-vietnamita entrou em colapso. Em 30 de abril de 1975, forças do Norte tomaram Saigon, renomeada Ho Chi Minh, unificando o país sob o nome República Socialista do Vietnã em 2 de julho de 1976. A vitória foi um marco: o Vietnã, com recursos limitados, derrotou os franceses e, depois, os norte-americanos, afirmando sua soberania contra as principais forças do planeta.

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