No dia primeiro de abril de 1994, os Estados Unidos cometeram um notável crime de guerra contra um alvo que permanecia em posição de neutralidade: o bombardeio sobre Schaffhausen, na Suíça. Um grupo de aviões norte-americanos saiu de bases instaladas na Inglaterra em direção à França e à Alemanha.
Acontece que uma densa cobertura de nuvens atrapalhou a visão da aeronáutica norte-americana. Soma-se isso ao fato de o equipamento de radar do comandante da operação estar com defeito.
A decisão lógica seria abortar a missão e retornar às bases, para, em melhores condições, executar a missão contra alvos militares nazistas. Contudo, o entendimento dos militares imperialistas era de ser preferível seguir com o bombardeio contra uma cidade alemã qualquer, uma decisão criminosa que demonstra o completo descaso da “democracia” com a vida de civis inocentes.
Os aviões com carga explosiva sobrevoaram a cidade de Schaffhausen no momento em que as bombas foram despejadas. Como resultado, morreram 40 civis e 270 ficaram feridos.
Schaffhausen, situada no norte da Suíça, próxima à fronteira alemã, possuía indústrias de médio porte e infraestrutura ferroviária, mas era um centro comercial sem qualquer relação com a economia de guerra. Por sua proximidade com a Alemanha, a cidade já havia sido alvo de confusão em patrulhas aéreas anteriores, mas até então, jamais havia sofrido um ataque direto e de tamanha magnitude.
No dia do bombardeio, os B-24 Liberators despejaram toneladas de explosivos sobre áreas residenciais e comerciais, destruindo mais de 50 edifícios e danificando severamente a infraestrutura local. Testemunhas relataram que o centro da cidade foi reduzido a escombros, com fábricas e residências sendo incendiadas e desabando sobre os habitantes.
O impacto do ataque foi imediato e devastador. O hospital local ficou sobrecarregado com os feridos, muitos dos quais sofriam queimaduras graves e lacerações causadas pelos estilhaços. Equipes de resgate demoraram dias para remover os escombros e encontrar sobreviventes. Entre os mortos estavam crianças, idosos e trabalhadores que não tiveram tempo de buscar abrigo.
A resposta internacional foi de choque e indignação. A Suíça, um país que se manteve oficialmente neutro durante toda a Segunda Guerra Mundial, protestou contra o ataque, exigindo explicações e compensação. O governo dos Estados Unidos admitiu o erro e, após negociações diplomáticas, ressarciu a Suíça em 18,4 milhões de dólares pelo crime cometido.
Apesar da indenização, o ataque a Schaffhausen não foi um evento isolado. Ao longo da guerra, os EUA bombardearam outras cidades suíças, incluindo Stein am Rhein, Vals, Tägerwilen e Zürique, alegando “erros de navegação” semelhantes.
O bombardeio de Schaffhausen é um importante evento para desmentir a farsa reacionária de que a guerra era travada entre ditaduras e democracias. As campanhas aéreas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial expõe a indiferença dos estrategistas militares em relação à vida civil e a facilidade com que alvos inocentes podiam ser atingidos pela máquina de guerra dos EUA.