Uma reportagem da emissora catarense Al Jazeera, publicada na última segunda-feira (26), trouxe à tona, com uma grande riqueza de detalhes, o sofrimento da população que habita o centro de refugiados de Rafá, vítima de uma sequência de bombardeios recentemente, que resultaram em mais de 75 mortos. O artigo tem início com a narração do caso de uma menina de pijamas rosas que foi acomodada em uma cama ensanguentada no Hospital Especializado do Cuaite. Estilhaços abriram um grande ferimento em seu tronco, que foi rapidamente enfaixado quando ela chegou ao hospital.

“Perto dali, uma menina vestida com um moletom vermelho encharcado grita e estremece de dor enquanto um médico tenta encontrar uma veia em seu braço emagrecido”, diz o artigo. “Algumas camas adiante, uma criança pequena, com o cabelo ensanguentado, respira entrando e saindo da consciência enquanto os médicos costuram apressadamente sua cabeça. Nas proximidades, vários médicos carregam o corpo sem vida de um menino vestindo shorts e uma camiseta encharcada de sangue para uma cama de hospital, antes de ser envolto em um pano branco, preparado para o enterro. Um homem idoso se aproxima do menino, agora coberto pelo pano branco, e se ajoelha ao lado da cama, batendo repetidamente na cabeça de cabelos brancos em desespero”.

Essas são apenas algumas das cenas que foram testemunhadas pelos repórteres da Al Jazeera após a primeira sequência de bombardeios, ocorrida no dia 25 de maio. Calcula-se que mais de 250 pessoas ficaram feridas, no episódio que foi considerado pelo Ministério da Saúde da Faixa de Gaza como o pior já visto. O massacre ainda resultou na morte de dois médicos, dificultando ainda mais os cuidados com os feridos. O Hospital do Cuaite acabaria sendo fechado por sua direção, que disse que a instalação foi desativada devido à “expansão das operações militares das forças de ocupação israelenses em Rafá e seus repetidos e deliberados ataques ao hospital e suas proximidades”. Sobrou, então, o Hospital de Campo Indonésio como o único prédio para atendimento a feridos em toda a cidade de Rafá.
“Estamos vivenciando aqui um ataque multifacetado, infelizmente, onde não apenas as pessoas estão sendo atacadas diretamente, mas também estão sendo impedidas de receber serviços médicos críticos”, disse o diretor do Hospital do Cuaite. “Quadricópteros estão restringindo os movimentos das ambulâncias, de modo que os feridos nem mesmo podem receber ajuda”, acrescentou.

Como os mísseis de “Israel” foram disparados sobre uma população que vive em tendas, os ataques causaram vários incêndios.
“Os incêndios eram muito grandes e estavam se espalhando por toda parte”, disse Dr. Muhammad al-Mughayer, da Defesa Civil Palestina, à Al Jazeera.
A maioria dos mortos tinha queimaduras graves em seus corpos.

Outros corpos foram ainda encontrados completamente carbonizados e outros cujos membros haviam sido dilacerados.

“As pessoas foram queimadas! Eles foram queimados! Todos foram queimados! O que mais eu deveria dizer?”, disse um palestino no Hospital do Cuaite. “Os mísseis caíram, explodiram e todas as pessoas foram queimadas.”





