Na última terça-feira, 28 de maio, o jornal financeiro Valor Econômico, pertencente às Organizações Globo, publicou uma coluna assinada por Edvaldo Santana, de título É ‘terricídio’ a exploração da Margem Equatorial. O artigo tem por objetivo comparar a exploração do petróleo pelo Brasil- e, portanto, 0 desenvolvimento do País – ao uso de armas de destruição em massa, como bombas nucleares, no que só pode ser compreendido como uma falsificação absoluta e uma sabotagem à economia nacional. Após longa introdução sobre armas atômicas, uma enrolação para tentar apresentar seu ponto ridículo, Santana afirma:
“Em 1º de junho de 2014, em artigo no portal The Ecologist, Tom Engelhardt ampliou o conceito de ADM, sendo nele incluídas as mudanças climáticas”.
“Dia 15 de maio, um dos painéis do ‘Summit Brazil-USA’ abordou a possibilidade de o Brasil liderar mundialmente a transição energética. Para um país que tem uma matriz elétrica com fontes mais que 90% renováveis, essa liderança deveria ser concreta. Mas não é”.
Em primeiro lugar, é preciso definir: uma transição energética, termo jogado como uma bola que quica de um lado para o outro, não é algo simples. Para modificar a matriz energética da economia, da sociedade, é necessário um investimento gigantesco em pesquisa e desenvolvimento, e depois em produção. Para tal, um grande desenvolvimento econômico é exigido, sendo que o Brasil é um país atrasado, sabotado constantemente pelo imperialismo. Uma das frentes dessa sabotagem é justamente a questão do petróleo. A liderança do Brasil, então, não pode se dar por uma porcentagem de sua matriz energética, mas pelo poder econômico capaz de transformar, de fato, essa matriz em todos os setores. Continua Edvaldo:
“Ora, se o petróleo e o gás, além de serem poderosos pavios das ADMs, são finitos, com tendência à escassez, por que correr tanto, e sempre mais distante, para extraí-los? Se já não há dúvidas quanto aos efeitos das mudanças climáticas, não seria mais prudente estudar melhor o que fazer?”
O argumento sobre armas de destruição em massa é absurdo. O petróleo e o gás estão presentes em toda a sociedade, em todos os processos produtivos. Justamente, são o oposto de armas de destruição em massa. São, na realidade, parte fundamental da base da produção. É por esse motivo que o imperialismo patrocina guerras, golpes de Estado, ditaduras, implanta governos fantoches pelo mundo. A tendência à escassez significa um aumento na riqueza que os possuidores destes recursos podem aferir; logo, uma possibilidade para o investimento em diversas áreas, o que pode incluir a pesquisa e o desenvolvimento do uso de novas energias.
“A humanidade tem um grande desafio. Não é trivial a substituição dos combustíveis fósseis. Pense na indústria química e do vidro sem o gás natural. Imagine, na Europa e nos Estados Unidos, como seria a logística para substituir o gás na geração de eletricidade. Nada disso se fará sem um plano um detalhado, com certeza muito mais preciso que o lançamento do telescópio Webb ou o envio de uma nave tripulada a Marte. Mas é imperioso começar.”
Ora, se é imperioso começar, por que não começar com aqueles que mais utilizam esse recurso, que, caso operassem uma mudança de porcentagem ínfima em sua economia, o impacto proporcional seria maior que uma mudança significativa num país atrasado? Enquanto os EUA destroem o planeta, enquanto sua indústria de guerra é uma das maiores consumidoras de recursos fósseis do mundo, o colunista do Valor Econômico, jornal vassalo dos EUA, afirma que o Brasil não deveria explorar seus próprios recursos.
“O Brasil, assim, tem um espetacular excedente de energia elétrica limpa. Equivale ao consumo de todos os países da América Central, excluindo o México. E ainda há um potencial de 300 GW que viriam do hidrogênio verde.
“É, por tudo isso, o momento de o Brasil, ao mesmo tempo que sai de uma tragédia climática sem precedentes, ser um exemplo de transição para uma matriz energética mais limpa. Claro que, no estágio atual, é impossível permutar 100% dos combustíveis fósseis, mas é erro gravíssimo estimular seu uso, caso da Margem Equatorial. Não faz sentido a perda de mais vidas e o desaparecimento de cidades. Seria um ‘terricídio’, termo criado por Tom Engelhardt naquele artigo de junho de 2014.”
O Brasil, é importante colocar, já é um exemplo de matriz energética limpa, e o próprio colunista demonstra isso. O que se afirma sobre a importância de não utilizar os combustíveis fósseis, de fato, é não um impulsionamento do Brasil enquanto potência energética, mas o seu contrário. O impedimento do desenvolvimento nacional, a manutenção do atraso, da fome e da miséria, da desindustrialização.
Se a preocupação de Ednaldo, do Valor e dos EUA, que coordena tal campanha, é sincera, por que não reduzir dos países imperialistas a utilização dos combustíveis fósseis, para que os países atrasados possam se desenvolver e garantir dignidade a suas populações? Apenas o Brasil deve ceder, aqui, porque o objetivo de tal campanha não é reduzir o uso dos combustíveis, mas garantir suas reservas para o momento que se aproxima, em que a escassez de recursos dos países imperialistas levará a uma crise sem precedentes na dominação mundial por esses países.





