Sob o comando do primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, “Israel” voltou a realizar bombardeios criminosos contra o povo palestino na região de Rafá, extremo sul da Faixa de Gaza, assassinando 45 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O bombardeio ocorreu na noite de domingo (26) e teve como alvo o acampamento de desabrigados da cidade palestina, em uma área designada como zona segura, no campo de refugiados de Tal as-Sultan.
Os bombardeios ocorreram após as forças sionistas abrirem fogo contra tendas que abrigavam palestinos deslocados em outras áreas, incluindo Jabalia, Nuseirat e a Cidade de Gaza, no qual pelo menos 160 pessoas foram assassinadas no total. Novamente, crianças e mulheres foram as principais vítimas, além de idosos. Segundo a imprensa local, muitos cadáveres foram encontrados carbonizados. Além dos assassinados, “Israel” deixou dezenas de feridos e outras dezenas de tendas destruídas pelo fogo dos bombardeios, incluindo pontos de distribuição da ajuda humanitária que chega a Gaza, submetida a um cerco genocida empreendido pelos israelenses.
Após o final de semana sangrento, o número de palestinos mortos por “Israel” atingiu 36.050, superando a barreira dos 36 mil. Além disso, mais de 81 mil civis foram feridos pelos ataques israelenses, totalizando mais de 116 mil vítimas palestinas, número que não considera os mais de 10 mil palestinos desaparecidos, enterrados sob os escombros da Faixa de Gaza e, muito provavelmente, mortos.
A realização dos bombardeios em Rafá também reforça a indiferença do governo israelense com as supostas autoridades internacionais, cuja força revela-se nula diante dos horrendos crimes cometidos pela ditadura sionista contra o povo palestino.
Na última sexta-feira (24), um dia antes da retomada dos ataques por aviões, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) proferiu uma decisão contra as operações israelenses em Rafá. A CIJ determinou que “Israel” suspendesse as agressões contra Rafá. Os sionistas, no entanto, deram à determinação da ONU o mesmo tratamento dado a todas as outras desde a criação do Estado artificial: ignoraram-na e intensificaram os ataque à região.
Em discurso ao Knesset, (o parlamento israelense), Netaniahu afirmou que, “apesar dos nossos máximos esforços para não ferir civis inocentes, na noite passada, houve um erro trágico. Nós estamos investigando o incidente e vamos obter uma conclusão, pois essa é a nossa postura“. O pronunciamento foi feito após o líder do enclave imperialista declarar, inicialmente, que o alvo dos ataques eram instalações utilizadas pela Resistência Palestina, uma alegação claramente mentirosa, da qual o dirigente sionista recuou após as provas do contrário.
A barbárie do bombardeio realizado contra os desabrigados gerou uma onda de indignação global contra “Israel”. Apoiador e financiador do regime sionista, o presidente francês, Emmanuel Macron, foi obrigado a se manifestar na rede social X (antigo Twitter), declarando-se “indignado” e afirmando que as “operações” israelenses em Rafá “têm que parar”, defendendo, ainda, um “cessar-fogo imediato”. Abaixo, a mensagem publicada por Macron:
“Indignado com os ataques israelenses que mataram muitos deslocados em Rafá.
Estas operações têm de parar. Não há áreas seguras em Rafá para civis palestinos.
Apelo ao pleno respeito pelo direito internacional e a um cessar-fogo imediato.”
Alto representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança da União Europeia (UE), Josep Borrell também publicou uma nota no X, dizendo-se “horrorizado” com a matança realizada pelos sionistas, destacando ainda que os bombardeios “mataram crianças pequenas”. Borrell também pediu que “as ordens da CIJ e do DIH [Direito Internacional Humanitário]” sejam “respeitadas”:
“Horrorizado com as notícias vindas de Rafá sobre os ataques israelenses que mataram dezenas de pessoas deslocadas, incluindo crianças pequenas. Condeno esse fato nos termos mais veementes.
Não há lugar seguro em Gaza. Esses ataques devem cessar imediatamente. As ordens da CIJ e o DIH devem ser respeitados por todas as partes.”
Micheal Martin, ministro das Relações Exteriores da Irlanda, também se pronunciou dizendo que “além da fome, da inanição, da recusa em permitir (a entrada de) ajuda humanitária em volumes suficientes, o que testemunhamos ontem à noite é bárbaro”, disse o chanceler do país, que reconhecerá oficialmente a Palestina como um Estado soberano a partir da próxima terça-feira (28).
Finalmente, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu “solidariedade às mulheres e crianças que estão morrendo na Palestina” em Guarulhos, onde participava da entrega de uma obra no último sábado. “Mulheres e crianças estão morrendo na Palestina por conta da irresponsabilidade do governo de Israel“, disse o líder brasileiro. “Não podemos nos calar diante das aberrações que estão acontecendo na região, não podemos deixar de ser solidários porque amanhã vamos precisar de solidariedade“, concluiu.
Além das personalidades políticas, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), principal braço da ONU na Faixa de Gaza, publicou nota afirmando que
“Gaza é o inferno na terra” e que “as imagens da noite passada são mais uma prova disso”, afirmou a entidade. O governo do país vizinho, Egito, também se pronunciou dizendo que o “bombardeio deliberado das tendas das pessoas deslocadas” pelas forças sionistas foi uma violação flagrante do direito internacional.
Governado por uma ditadura militar a serviço do imperialismo servil a ponto de reprimir manifestações em apoio à Palestina em seu país, o regime egípcio nitidamente ficou pressionado a condenar a selvageria israelense, que de tão chocante, fez com que a Arábia Saudita também condenasse a ação, além do Catar, onde se localiza o governo palestino no exílio. Em relação à pressão, o mesmo vale para os presidentes dos países imperialistas e os representantes das organizações imperialistas.
Uma ressalva importante a ser feita na colocação do presidente brasileiro é que o problema do povo palestino não é “irresponsabilidade” de “Israel”, mas a existência desse enclave imperialista no território palestino. A ditadura sionista, finalmente, está fazendo o que foi criada para fazer, massacrar com a máxima dureza o povo palestino e garantir o controle do imperialismo sobre a região.
O aumento das vítimas e o aumento da ferocidade se devem à situação desesperadora da manutenção do país artificial, em sua mais profunda crise desde a fundação de “Israel”. Justamente devido à crise, tornou-se mais monstruoso. Isso mostra que não há meios de lidar com a invasão sionista da Palestina e nem de libertar o país, exceto por meio da política da Resistência Palestina, liderada pelo Hamas, de enfrentamento armado a “Israel”, até a vitória.





