HISTÓRIA DA PALESTINA

Quem foi Saleh al-Arouri, líder do Hamas assassinado por ‘Israel’

Governo dos EUA chegou a oferecer US$5 milhões pela morte do militante, cujas contribuições incluem ser um dos fundadores das Brigadas al-Qassam

Nesta terça-feira, 2 de janeiro, o Estado de “Israel” assassinou Saleh al-Arouri, o vice-chefe do birô político do Hamas.

Ele foi morto por meio de um ataque de drones, que bombardearam o local onde se encontrava al-Arouri, no subúrbio de Danieyh, região sul de Beirute, capital do Líbano.

Segundo informações da rede de televisão catariana, Al Jazeera, o ataque matou pelo menos seis pessoas. Além de al-Arouri, também foram assassinados Samir Findi Abu Amer e Azzam Al-Aqraa Abu Ammar, líderes do braço armado do Hamas.

Uma nota publicada pelo Hamas em seus canais oficiais de comunicação qualificou o assassinato como um “ataque sionista traiçoeiro”. No mesmo sentido, Izaat al-Sharq, igualmente membro do birô do partido, chamou o atentando de um “assassinato covarde”

Apesar a importância das pessoas mortas, o assassinato é uma manifestação da fraqueza de “Israel”, que, não conseguindo impingir derrotas militares em confrontos diretos com o Hamas e demais organizações da resistência palestina, tem de recorrer a assassinatos pontuais de membros das organizações que lutam contra a barbárie sionista. Ainda, os assassinatos foram realizados em clara violação de um Estado soberano, no caso, o Líbano.

Saleh al-Arouri nasceu em 19 de agosto de 1966, em Ramalá, na Cisjordânia ocupada. Estudou na Universidade de Hebron, e lá onde começou sua atividade política. Estudante da Lei da Sharia, foi eventualmente eleito líder da fração Islâmica na universidade. A partir daí, estabeleceu contatos com os Blocos Islâmicos, ou seja, a organização da juventude do Hamas, que atuava no campus universitário. Através dessa conexão, eventualmente foi-lhe atribuída a responsabilidade por levantar fundos para a infraestrutura militar do Hamas na cidade de Hebron.

Em razão de sua atividade militante, foi preso em 1990 pelo aparato de repressão do Estado sionista.

Nessa primeira passagem pelo cárcere, ficou apenas 6 meses. Contudo, logo após liberto, foi preso novamente, desta vez através da modalidade “prisão administrativa”, basicamente uma forma que “Israel” se utiliza para prender palestinos arbitrariamente, sem o devido processo legal, e mantê-los encarcerados indefinidamente.

E foi justamente isto que aconteceu: al-Arouri passou os 15 anos seguintes trancafiado nas masmorras sionistas. Seria solto, mas enfrentaria nova prisão no ano de 2007, também para reprimir sua atividade política.

Finalmente, sua libertação definitiva veio em 2010, quando o Hamas conseguiu negociar a libertação de prisioneiros. Por seu papel diplomático na libertação de um soldado israelense feito prisioneiro pelo Hamas em 2006, “Israel” foi obrigado a libertá-lo. Foi, no entanto, expulso de Gaza, onde sua presença era tida como uma ameaça para os sionistas.

Deportado para Damasco, capital da Síria, lá foi admitido no birô político do Movimento de Resistência Islâmica. Contudo, em razão da guerra de agressão que o imperialismo desencadeou contra a Síria, no início da década de 2010, al-Souri teve de se realocar na Turquia, onde a Irmandade Muçulmana, que possui fortes vínculos com o Hamas, tem presença significativa na cena política.

Ao que se sabe, al-Arouri foi uma importante figura em renovar as redes de inteligência e comunicação do Hamas na Cisjordânia. Entre outras contribuições de sua militância à causa Palestina está a de ser um dos fundadores do braço armado do grupo palestino: as Brigadas al-Qassam.

Em 2015, o governo dos EUA designou Al-Arouri como “terrorista global” e ofereceu uma recompensa de cinco milhões de dólares por informações sobre ele. Nas últimas semanas, atuou como porta-voz do Hamas e de sua estratégia na guerra em Gaza. Com a sua morte, inúmeros protestos já vem ocorrendo no enclave. Além disso, uma greve geral na cidade de Ramalá, onde nasceu, foi marcada para esta quarta-feira (3).

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