No último dia 2 de fevereiro, mais uma vez, em uma ação da direita reacionária do partido Novo através de uma ação impetrada pelo deputado de São Paulo Leonardo Siqueira, o também reacionário juiz substituto da 1ª Vara do Distrito Federal, Marcelo Gentil Monteiro, determinou, mais uma vez, um novo afastamento do presidente do Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), João Fukunaga.
Fukunaga é um legítimo representante dos trabalhadores bancários, funcionário do Banco do Brasil, ex-diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo João Fukunaga. Além disso, também ocupou na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) uma cadeira na coordenação nacional da Comissão de Negociação dos Funcionários do Banco do Brasil.
A alegação do juiz é a mesma da anterior: falta de experiência exigida para o cargo.
A perseguição da direita aos representantes da classe trabalhadora à frente das instituições como os fundos de pensões das empresas estatais que, sempre é bom ressaltar, foram criadas pelos próprios trabalhadores; diz respeito aos interesses dos capitalistas e banqueiros nacionais e internacionais. Nesse sentido, os tribunais e seus representantes no parlamento estão apenas cumprindo as ordens dos seus patrões.
Para os trabalhadores, não pode haver dúvida que o interesse em retirar do comando um sindicalista do maior fundo de pensão da América Latina é parte da política de transferência dos recursos dos trabalhadores para os banqueiros e capitalistas. Tanto é assim que a imprensa venal vem dando um extraordinário destaque para o afastamento de Fukunaga e, mais ainda, ataca o governo Lula através das declarações do senador, serviçal do imperialismo, Sérgio Moro (do ex-Arena, ex-PFL, ex-Democrata e, hoje, União Brasil), aquele mesmo que foi peça-chave do imperialismo norte-americano no golpe de Estado de 2016 e responsável pela operação farsa da Lava Jato.
Em seu perfil no X (antigo Twitter), Moro disse que o “afastamento de Fukunaga é feito em razão do ‘loteamento político partidário’ realizado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva“, e que o governo “leva, de forma temerária, gente despreparada para cargos chaves no país, no caso da Previ. Decisão correta da Justiça e que espero que seja mantida“.
A Previ é o maior fundo de pensão da América Latina com um patrimônio de R$250 bilhões, tendo ainda tentáculos acionários nas maiores empresas brasileiras em setores vitais como energia, telecomunicações, siderurgia, mineração e aviação. Gigantes como a Vale do Rio Doce, CSN, Embraer, Paranapanema, dentre outras, pertencem em parte à Previ. Não é por um acaso que setores da direita reacionária se coloquem contra representantes dos trabalhadores à frente da administração nos fundos de pensão e nas empresas estatais.
É necessário esclarecer que há um gigantesco interesse, por parte dos banqueiros nacionais e internacionais e os seus capachos de plantão, em colocar as mãos nos fundos de pensão das estatais brasileiras, que constituem um patrimônio em torno de R$1,2 trilhão, e que são alvos da cobiça dos especuladores financeiros.
É claro que a direita golpista, através de suas instituições (imprensa, Judiciário, Polícia Federal, Congresso Nacional etc.), procuram, num claro movimento golpista, imputar o mau gerenciamento dos fundos ao PT e à CUT, sendo que, segundo o Fórum Independente em Defesa dos Fundos de Pensão, a elevada participação dos fundos das empresas estatais em investimentos de alto risco foi estabelecido no famigerado governo de FHC (PSDB). Ou seja defendem um dirigente “técnico na área financeira” aos moldes da época onde houve uma intensificação do uso dos recursos dos fundos em investimentos de sustentação dos negócios capitalistas em crise e das negociatas como no caso das privatizações de empresas estatais.
É de extrema importância que na Previ tenham representantes que estejam verdadeiramente ligados à luta dos trabalhadores. Nesse sentido, os trabalhadores bancários não podem ficar assistindo à destruição do seu patrimônio. É preciso reagir, e exigir das direções sindicais uma efetiva reação nas ruas, nas campanhas salariais, nas mobilizações, através da unidade com os demais trabalhadores das estatais, contra a política da direita reacionária que, em nome de uma suposta “moralização dos fundos”, está querendo aprofundar a roubalheira dos recursos dos trabalhadores.
Os fundos de pensão das estatais são patrimônio construído pelos trabalhadores e só a eles cabe o seu gerenciamento. Por isso, deve-se lutar por uma Previ controlada única e exclusivamente pelos trabalhadores.





