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Venezuela

PCBR defende frente única com imperialismo contra PSUV

PCBR mostra qual é sua política: a frente única com o imperialismo golpista contra os governos nacionalistas latino-americanos e contra os interesses das massas explorados.

O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) — oriundo da recente cisão no Partido Comunista Brasileiro (PCB) — publicou uma Nota de solidariedade ao Partido Comunista da Venezuela em seu sítio na Internet, Em Defesa do Marxismo. O motivo da solidariedade com os “comunistas” da Venezuela seria o “sequestro do registro eleitoral” da legenda e a “exigência de libertação e fim da perseguição política a dezenas de trabalhadores e lideranças sindicais venezuelanas”. 

Eles acusam o governo de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), de ter intensificado a “perseguição política contra os comunistas venezuelanos” “desde que o PCV rompeu suas relações e aliança tática” com o partido governista. A maior expressão dessa “perseguição” seria o suposto “roubo da legenda eleitoral do PCV por funcionários pagos do PSUV”. 

Fato é que tal “sequestro” não aconteceu, o que fica explícito quando o PCBR nem sequer se dá ao trabalho de explicar quem seriam as pessoas que estariam sendo perseguidas e como tal roubo teria ocorrido. Os “comunistas” brasileiros se limitam a fazer declarações evasivas como se fosse um fato consumado, quando, na verdade, houve uma cisão no PCV.

Enquanto um setor — os “funcionários pagos do PSUV”, supostamente — se aproximou do governo Maduro e atua ao lado do PSUV, o grupo defendido pelo PCBR defende atacar o governo venezuelano, que se enfrenta com o imperialismo e se apoia nas massas do país. A ruptura política com o governo venezuelano é, na realidade, uma política oportunista e carreirista de setores que querem controlar o aparato do partido em detrimento de outros.

A crítica política desse setor aos chavistas se baseia no fato de que eles teriam optado por “gerir o capitalismo, ao invés de aprofundar as potenciais medidas de caráter socialista, de ampliação do Poder Proletário, no processo bolivariano”. “Atualmente, o PSUV posiciona-se enquanto Estado-Maior dos interesses de amplos setores da burguesia venezuelana, aplicando um programa burguês de intensificação da exploração da classe trabalhadora, agravando a crise econômica que passa o país”, diz o PCBR.

Que o governo venezuelano é um governo nacionalista-burguês, e não uma ditadura do proletariado, sabemos. Aliás, é assim há década, o que não impediu que, no passado, os mesmos que agora atacam Maduro integrassem o governo do PSUV — numa política contrarrevolucionária, abrindo mão da independência de classes. Agora, numa guinada ultra-esquerdista, o grande problema do PSUV seria sua política não revolucionária…

A história e os argumentos demonstram o total oportunismo da crítica. Enquanto os interesses dos setores estavam garantidos, no passado, eles abriam mão da independência de classe — e, portanto, do programa revolucionário — participando do governo. Agora, justamente quando o imperialismo aumenta a pressão contra a Venezuela, não só o PSUV é acusado de ter um programa burguês (o que é um fato, no sentido que não defende o fim da propriedade privada e a ditadura do proletariado), como também de ser o “Estado-Maior dos interesses de amplos setores da burguesia venezuelana”.

Se, de fato, podemos caracterizar o governo venezuelano como nacionalista-burguês, é mentira que ele é “Estado-Maior dos interesses de amplos setores da burguesia venezuelana”. Se podemos falar em um apoio da burguesia ao governo da Venezuela, isso ocorre apenas com um setor totalmente secundário da economia venezuelana e internacional. Ao contrário, o setor importante da burguesia da Venezuela está aliada ao imperialismo contra o governo, organizando golpes de Estado e sabotando a economia por dentro e por fora.

O PCV e o PCBR, ao se colocarem na posição de atacar o governo e o PSUV, estão numa frente única com a burguesia venezuelana e o imperialismo, quando, na verdade, deveriam formar tal frente com o PSUV contra as investidas golpistas, mobilizando as massas para aprofundar a luta pelos seus interesses de classe.

Não importa que o PCBR diga que o PCV “mantém sua coerência, e ressalta suas qualidades revolucionárias, se opondo ao governo de Nicolás Maduro, ao mesmo tempo que não apoia qualquer outra iniciativa entreguista representada por outros setores burgueses da Venezuela que, até pouco tempo atrás, pediam por uma intervenção militar direta dos Estados Unidos”. 

O que ocorre é que o PCV serve como flanco esquerdista da política golpista contra o governo da Venezuela. O PCBR afirma que “o PCV combate dois inimigos ao mesmo tempo: o setor burguês que ascendeu com o processo bolivariano, e os velhos setores burgueses mais tradicionais do país; combate a sua burguesia interna, em suas mais diversas expressões, ao mesmo tempo que não cede um centímetro para os interesses intervencionistas”.

Isso é pura ilusão. O “processo bolivariano” não levou à ascensão de uma nova burguesia. Ao contrário, o chavismo atua como um setor que se equilibra entre a burguesia e a classe operária e, para isso, precisa do amplo apoio das massas. Na medida em que a burguesia aprofundou a política contra o nacionalismo venezuelano, o chavismo permitiu uma maior participação das massas no poder político. Os trabalhadores venezuelanos estão armados, têm um relativo controle na produção do país e estão dispostos a lutar contra o inimigo maior dos oprimidos: o imperialismo. Dessa forma, a balança do “bolivarianismo” pesa muito mais no sentido da classe operária, sendo empurrado pelas massas para uma política que atenda seus interesses.

No entanto, os “comunistas” brasileiros afirmam que “o PCBR compreende que o PCV é a melhor expressão de uma alternativa revolucionária para o proletariado venezuelano e as demais camadas trabalhadoras. Portanto, reafirmamos nossa irrestrita solidariedade ao PCV em sua justa luta pela retomada de sua legenda eleitoral e pelo fim das perseguições políticas”.

Dessa forma, o PCBR mostra qual é sua política: a frente única com o imperialismo golpista contra os governos nacionalistas latino-americanos e contra os interesses das massas explorados.

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