HISTÓRIA DA PALESTINA

Os órgãos máximos da principal organização sionista mundial

Neles, o movimento sionista decidiu em definitivo erigir "Israel" sobre a Palestina, e recebeu de braços abertos o apoio do imperialismo britânico a esse objetivo

O Congresso Sionista é o órgão máximo da Organização Sionista Mundial (OSM), tendo uma autoridade legislativa, ou seja, com poder de tomar as decisões que irão guiar a principal organização dos sionistas em todo o mundo (sem levar em conta o Estado de “Israel”).

Tanto a OSM quanto o Congresso Sionista foram fundados por Theodor Herzl, o próprio fundador do sionismo. Aliás, a criação da OSM se deu quando da realização do Primeiro Congresso Sionista, realizado na cidade de Basel, na Suíça, de 29 a 31 de agosto de 1897. Se O Estado Judeu , de Herzl, já havia sido uma obra fundamental para dar início ao movimento sionista, fundamentando-o com uma ideologia de cunho político, a Organização Sionista Mundial e o Congresso Sionista foram essenciais para colocar em prática suas ideias.

Nesse sentido, já no Primeiro Congresso Sionista, importantes resultados práticos para o avanço do movimento sionista foram alcançados. Um deles, já foi mencionado: a fundação da Organização Sionista Mundial. Outro foi a adoção de um programa político, que ficou conhecido como o Programa de Basel. Nele, foram estabelecidos os principais objetivos do sionismo, constando que “Israel”, ou seja, o Estado supremacista judeu, deveria ser erguido na Palestina. Para a concretização desse objetivo, foram listados objetivos acessórios:

  1. A promoção rápida do assentamento de agricultores, artesãos e empresários judeus na Palestina.
  2. A organização e reunião de todos os judeus por meio de eventos locais e gerais, de acordo com as leis dos diferentes países.
  3. O fortalecimento do sentimento judaico e da consciência nacional.
  4. Passos preparatórios para obter a aprovação governamental necessária para alcançar o propósito sionista.

Em outras palavras, desde o primeiro momento em que os sionistas se organizaram, eles visavam erguer um Estado nacional sobre uma terra alheia. E um Estado em que apenas judeus seriam considerados cidadãos; ou seja, uma entidade política de natureza supremacista, algo que implicaria, necessariamente, na expulsão dos árabes palestinos de suas terras.

Para além disto, o Primeiro Congresso Sionista alcançou os seguintes resultados:

  • A adoção de Hatikvah como seu hino (o atual hino nacional de “Israel”)
  • A absorção da maioria das anteriores sociedades Hovevei Zion (organizações protossionitas, fundadas no Leste Europeu, em especial no Império Russo), o que representou uma centralização do movimento.
  • A sugestão para o estabelecimento de um banco popular, demonstrando uma organização no sentido de financiar o movimento sionista.
  • A eleição de Herzl como Presidente da Organização Sionista e Max Nordau como um dos três vice-presidentes.

Este foi o Primeiro Congresso. Tais eventos ocorreram anualmente entre os anos de 1897 a 1901. Após isto, os encontros deram-se de dois em dois anos, a partir de 1903 até 1913. Com a Primeira Guerra Mundial, não houve congressos, os quais só vieram a ser retomados no ano de 1921. Seguiram ocorrendo com o mesmo intervalo bienal, até 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, quando ocorreu nova interrupção. A realização dos congressos foi retomada, então, em 1946, sendo realizados aproximadamente a cada quatro.

Os congressos fundamentais foram os anteriores à fundação de “Israel”.

Um deles foi o Segundo Congresso Sionista, que foi, novamente, sediado em Basel, Suíça, desta vez entre os dias 28 e 30 de agosto de 1898. Através dele, Herzl, agora presidente da OSM, trouxe delegados de várias partes do mundo, com o objetivo específico de financiar o movimento sionista, criar lobbys de apoio ao movimento e também as bases das instituições que um dia poderiam fazer parte do futuro Estado judeu, “Israel”. Herzl pretendia, através do Segundo Congresso, angariar o maior número possível dos judeus que viviam na Europa, nos Estados Unidos e nos demais países com significativa população judaica, para se juntarem ao movimento sionista.

No congresso, foi criado o Fundo Colonial Judeu, com o objetivo de financiar a migração para a Palestina (assim como a colonização daquela terra). Importante frisar que foi no Segundo Congresso que se deu a primeira participação de Chaim Weizmann, que eventualmente seria presidente da OSM, um dos principais articuladores da aliança entre o sionismo e o imperialismo britânico e, também, ninguém menos que o  primeiro presidente de “Israel”.

Após o segundo, outros congressos de grande importância foram o Quinto e o Sexto.

O Quinto Congresso deu-se novamente em Basel, agora no ano de 1901. A medida mais importante que resultou do encontro foi a criação do Fundo Nacional Judeu, com a finalidade de financiar e impulsionar a aquisição de terras na Palestina. Um avanço em relação Fundo Colonial Judeu.

Então veio o Sexto Congresso. sediado em Basel uma vez mais. Nele, houve um grande cisma, em razão da proposta conhecida como o Projeto de Uganda, apresentada no congresso pelo próprio Theodor Herzl, através da qual ele propôs que o Estado judeu fosse erguido em um território que hoje é parte do Quênia. Contudo, teria frisado que nunca substituiria a Palestina como um lar para os judeus. No mesmo sentido, Max Nordau, braço direito de Herzl, chegou a dizer que Uganda seria apenas um refúgio temporário. Como informado acima, a proposta causou um racha no movimento. Sionistas russos retiraram-se do congresso. Destaque para a presença de Vladimir Jabotinski, que, anos mais tarde, daria início ao “revisionismo sionista”, criando a organização sionista fascista Betar, a qual está nas origens do Likud. Ele também se opôs à proposta de Herzl. Apesar da oposição, foi aprovado, por 295 votos a favor, 178 contra e 98 abstenções, que um comitê deveria ser enviado para a África Oriental, a fim de examinar a possibilidade de se estabelecer “Israel” na região.

Herzl morreria em 1904, não participando no Sétimo Congresso, que ocorreu no ano de 1905, novamente na Suíça, em Basel. Foi então que o Projeto de Uganda foi descartado pela Organização Sionista Mundial, e que se decidiu que “Israel” seria erguida sobre a Palestina.

Congressos seguiram sendo realizados até o ano de 1913. No ano seguinte, tiveram de ser suspensos em razão da Primeira Grande Guerra, como já informado.

Voltou a ser realizado em 1921. Este, o 12º Congresso, foi de suma importância. Foi o primeiro realizado após o imperialismo britânico ter declarado, pela primeira vez, apoio ao projeto sionista de erguer um Estado supremacista judeu sobre terra alheia, no caso, a Palestina. O apoio do imperialismo britânico se deu por meio da Declaração de Balfour, uma carta em que o secretário dos Assuntos Estrangeiros do Reino Unido, Arthur James Balfour, enviara para o banqueiro Lionel Walter Rothschild. Nela, foi deixado expresso o seguinte:

“O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu, e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo […]”

A declaração, datada de 1917, foi extremamente bem recebida pelo movimento sionista. Daí a importância do congresso, pois deixou claro que não se tratava de um movimento nacionalista de caráter progressista, mas que o sionismo estava a serviço do imperialismo e seus interesses para dominar a Palestina e o mundo árabe.

Enfim, estes foram cinco dos mais importantes congressos sionistas, órgão que, conforme já informado, é a instância máxima da principal organização sionista não governamental (ao menos oficialmente), a Organização Sionista Mundial.

Apesar de congressos seguirem ocorrendo até os dias atuais, as questões fundamentais, qual seja, a colonização da Palestina e o apoio do imperialismo ao sionismo, foram decidas há muito. Apoio este que permanece, como se vê atualmente com os Estados Unidos e União Europeia seguindo em seu financiamento do genocídio que “Israel” comete contra os Palestinos em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém ocupada.

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