Guerra na Palestina

Operação Dilúvio de al-Aqsa: o começo do fim de ‘Israel’

Iniciativa do Hamas é tentativa de pôr um ponto final em décadas de martírio

No artigo Na caixa de brita, publicado pelo portal Poder 360, Alon Feuerwerker, que se apresenta como um analista político que já assessorou partidos como o PSDB e o PSB, reintroduz a tese nada original de que a Operação Dilúvio de al-Aqsa, deflagrada em 7 de outubro de 2023, teria sido um “erro de cálculo” do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Partindo de um raciocínio verdadeiramente tosco, o autor declara que:

“Ficará na história o também catastrófico erro de cálculo de Yahia Sinwar, que fez a leitura completamente errada do grau de desagregação política interna em Israel e do estado das alianças globais do país. Erros e falhas que carregam na sua contabilidade a tragédia dos mortos, dos feridos, das vidas destroçadas.”

A operação teria sido um “erro de cálculo”, portanto, porque 30 mil palestinos foram assassinados por “Israel”. Mas o que faz Feuerwerker achar que isso não estava no “cálculo” do Hamas?

Ao contrário do autor do artigo, Yahia Sinuar não é um analista de gabinete. Seu papel não é puxar o saco de políticos burgueses. Ele é um militante forjado em uma luta de décadas contra o Estado de “Israel”. Assim como o Hamas.

O Hamas foi fundado durante as famosas Intifadas. Isto é, no momento em que amplas massas se levantaram contra a opressão da entidade sionista. O Hamas e Sinuar viram, por exemplo, “Israel” prometer, nos Acordos de Oslo, a criação do Estado palestino e nunca cumprir. O Hamas e Sinuar viram “Israel” prender arbitrariamente centenas de palestinos todos os anos e torturar os seus prisioneiros. O Hamas e Sinuar viram incontáveis bombardeios covardes contra a população civil e incursões criminosas contra os bairros da Cisjordânia. O Hamas e Sinuar, finalmente, testemunharam os efeitos genocidas de um bloqueio contra Gaza que vem durando quase duas décadas.

É ridículo, portanto, acreditar que o Hamas não contava com uma reação agressiva de “Israel”. Se há alguém que conhece as monstruosidades que a entidade sionista é capaz de cometer, esse alguém é o Hamas.

Se o Hamas previa a reação de “Israel”, por que então deflagrar a operação? Ora, porque o objetivo do Hamas não era derrotar “Israel” de uma vez por todas no 7 de outubro, uma vez que tal coisa seria impossível. Nem mesmo a Rússia, equipada com um exército infinitamente superior às Brigadas al-Qassam, pôde derrotar a Ucrânia em um único dia. Para derrotar “Israel”, seria preciso uma guerra, que teria de durar, no mínimo, alguns meses.

A Operação Dilúvio de al-Aqsa, no entanto, foi muito mais que o início de uma guerra. Da forma como foi feita, ela desmoralizou profundamente o Estado de “Israel” e o próprio imperialismo. Ela expôs ao mundo inteiro a fragilidade da entidade sionista e a capacidade militar das forças de resistência. E isso tem sido determinante para o sucesso do Hamas durante a guerra.

Em discurso para milhares de libaneses, o líder do Hesbolá, Hasan Nasralá, explicou claramente: se você é incapaz de se defender, ninguém irá defender você, nem mesmo chorar por você. E é por isso que a Operação Dilúvio de al-Aqsa foi tão importante: ela mostrou ao mundo que os palestinos estavam dispostos a fazer o possível e o impossível para se livrarem da ocupação sionista.

Após a Operação Dilúvio de al-Aqsa, a opinião pública mundial mudou de maneira definitiva em favor dos palestinos. O Estado de “Israel” ficou completamente isolado, como nunca aconteceu na história. Mobilizações acontecem no mundo inteiro contra o genocídio que vinha ocorrendo ao longo de décadas. E mais: a desmoralização de “Israel”, a pressão das mobilizações e os protestos dentro do próprio território ocupado pelos sionistas estão contribuindo para que “Israel” não consiga uma única vitória militar desde 7 de outubro.

Se a Operação Dilúvio al-Aqsa foi um “erro de cálculo”, então foi o erro mais acertado da história. Como disse Nasralá, a operação colocou “Israel” “no caminho de sua não existência”.

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