Análise Política da Semana

O fim do bolsonarismo?

Confira alguns destaques da análise política mais tradicional de toda a esquerda brasileira

Nesse sábado (10), foi ao ar mais uma edição do programa mais tradicional de toda a esquerda brasileira, a Análise Política da Semana, com Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO).

Desta vez, o programa, que vai ao ar na Causa Operária TV (COTV), discutiu desde a crise envolvendo a guerra na Ucrânia, até a operação da Polícia Federal (PF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, grande destaque dessa semana.

A liberdade de expressão

Como tem sido tradicional em todas as edições do programa, Pimenta iniciou sua exposição discutindo o problema da censura. Para tal, começou falando sobre o caso do aiatolá do Irã, Ali Khamenei, que foi banido pela Meta do Instagram. No mesmo tema, o presidente da organização trotskista também falou sobre o carnaval, ressaltando que, a cada ano que passa, a comemoração mais popular do Brasil é cada vez mais atacada pela burguesia.

A crise na Ucrânia

Na última semana, o presidente ucraniano, Vladimir Zelenski, destituiu o comandante das Forças Armadas do país, uma pessoa que tem uma ligação muito estreita com grupos nazistas que, agora, fazem parte do exército. “Isso já é uma situação de ruptura dentro do governo e do regime político. Aparentemente, a questão que está colocada é a seguinte: o general e os nazistas acham que não vale a pena fazer maiores sacrifícios, principalmente dos nazistas”, afirmou Rui Pimenta sobre o caso.

Ele também destacou que esse episódio demonstra que a guerra da Ucrânia, mesmo que lentamente, se aproxima de um desfecho.

“Acho que os russos já viram a vitória no fim do túnel e não estão dispostos a sacrificar ninguém em uma coisa que já está ganha […] O imperialismo fracassou totalmente em deter os russos, em criar um Vietnã russo na Ucrânia, e destruiu a Ucrânia”, disse Pimenta.

Mais vitórias da resistência palestina

Em relação à Palestina, Rui Costa Pimenta destacou um dado importante, revelado nessa última semana por um jornal israelense: o exército sionista já acumulou mais de 13 mil baixas desde a deflagração da operação Dilúvio de al-Aqsa, em 7 de outubro de 2023.

“Eles [os israelenses] estão enfrentando uma força militar bem treinada, bem armada, com recursos tecnológicos que foram preparados de antemão […] Segundo o jornal israelense, 50% [das 13 mil baixas] é de reservistas. Quer dizer, a festa acabou. Estamos vendo o mesmo fenômeno que vimos na época do Vietnã nos Estados Unidos: os reservistas que foram chamados para servir ao exército queimando o cartão de reservista. Isso não é só um sinal de que a situação está periclitando, é um sinal de desmoralização do sionismo dentro da própria população”, disse Pimenta.

O militante trotskista deixou claro como isso demonstra o enorme sucesso que teve a operação da resistência armada palestina, afirmando que o Hamas, ao lado dos demais grupos da Palestina, como a Jiade Islâmica, está infligindo “uma das piores derrotas políticas do imperialismo neste momento”. “O efeito de uma derrota do sionismo vai ter muito mais impacto do que o que está acontecendo na Ucrânia”, afirmou.

“A situação política na América Latina está se deteriorando”

Passando para a América Latina, Pimenta começou falando sobre a eleição em El Salvador do último domingo. “Bukele ganhou a eleição, mas também, é uma ditadura, como é que ele iria perder a eleição?”, disse.

Já em relação à Argentina, o presidente do PCO destacou dois fenômenos importantes: o primeiro, de que a ditadura de Milei se impõe cada vez mais. “A repressão dos movimentos sociais que estão nas ruas tem crescido exponencialmente. Vai ter muita gente presa, a repressão é duríssima”, alertou Pimenta. O segundo é que, ao que tudo indica, setores da esquerda começaram a acordar para o fato de que o que está acontecendo na Argentina é um golpe de Estado.

A partir da situação nesses dois países, Rui Pimenta mostrou como está a situação política na América Latina como um todo:

“A situação política na América Latina está se deteriorando do ponto de vista dos direitos democráticos da população. Uruguai tem um governo de direita, bem direitista, que é aliado da extrema direita; Paraguai é sempre uma ditadura mesmo quando você elege os representantes governamentais; Peru está sob estado de sítio e com tropas dos Estados Unidos atuando no território peruano; na Bolívia, a situação está completamente deteriorada e o governo supostamente esquerdista está levando adiante toda uma operação que é praticamente um golpe de Estado; Equador também caminha rapidamente para o estado de sítio; Colômbia a situação também está se deteriorando, as ameaças contra o governo esquerdista são grandes e o Petro já apontou uma pessoa da Global Americans como ministro das Relações Exteriores, sinal de que o governo está muito fraco; no Chile, o governo está totalmente desmoralizado, o que vai levar a uma vitória da direita.”

A operação da Polícia Federal contra o núcleo do bolsonarismo

Passando para o tema principal do programa, Pimenta iniciou a discussão mostrando como o caso em questão escancara a incoerência da caracterização de que houve uma tentativa de golpe me 8 de janeiro de 2023.

“As interpretações, se elas são corretas, mantêm coerência no conjunto. A própria operação da PF e do STF mostrou a incoerência do golpe de Estado. Veja bem: segundo a imprensa norte-americana no Brasil, segundo o STF, segundo várias autoridades públicas, segundo o PT, teria havido uma tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. Segundo a operação da PF, teria havido uma outra tentativa de golpe de Estado em julho de 2022, antes das eleições. Eles não esclareceram que são duas tentativas de golpe de Estado, procuram confundir tudo”, disse.

Partindo disso, ele questiona:

“Bolsonaro não tentou manter a tese do golpe de Estado, ele foi para as eleições. Então, ele perdeu a eleição e, sabendo que os militares não iriam apoiar, que ele não era mais presidente, ele mesmo assim tentou dar um golpe de Estado. Vai me desculpar, mas não faz sentido. A tese dos golpes de Estado é uma tese incongruente, incoerente.”

Para assistir ao programa desse sábado, acesse o link abaixo e confira um debate aprofundado dos principais acontecimentos da última semana:

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