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Guerra em Gaza

O antissionismo é inevitável, o antissemitismo é irrelevante

Os institutos de defesa do genocídio em Gaza, como a CONIB, querem inventar que, no Brasil, existe uma onda "antissemita", e não antissionista

O genocídio na Faixa de Gaza perpetrado pelo Estado de “Israel” levou os sionistas a levantarem todo tipo de tese absurda para justificar suas ações. Na imprensa burguesa, é comum os sionistas publicarem textos de propaganda que parecem ter sido escritos diretamente pelo Mossad israelense. Na Folha de S.Paulo foi publicado o artigo Antissemitismo não é antissionismo que, na verdade, tenta comprovar justamente o contrário, a tese tradicional dos sionistas para atacar todos os movimentos contra o sionismo como movimentos racistas.

O artigo começa: “até 2023 o Brasil era um dos países com o menor índice de antissemitismo. Mas desde os ataques terroristas do Hamas a Israel em 7 de outubro, discursos de ódio estão se disseminando no mundo por uma legião de racistas com suas viseiras ideológicas que só os permitem enxergar o seu próprio umbigo ou o do grupo ao qual pertencem. Isso não demorou a chegar ao Brasil. O mais recente Relatório de Antissemitismo no Brasil, divulgado terça-feira (11) pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), apontou que entre 1º de outubro e 31 de dezembro do ano passado, o Brasil contabilizou 1.119 denúncias de antissemitismo —cerca de 12 por dia—, um aumento de quase 800% sobre as 125 denúncias do mesmo período. O antissemitismo reaparece, repaginado, diante dos nossos olhos”.

Uma coisa aconteceu no dia 7 de outubro, o Estado de “Israel” começou a bombardear Gaza todos os dias, realizando um genocídio que todos puderam ver pelas redes sociais. Já foram mais de 15 mil crianças assassinadas. O Estado de “Israel” se declara como Estado judeu, então isso seria uma justificativa muito coerente para o crescimento do antissemitismo no Brasil, mas a realidade é que isso é uma farsa. Não existe antissemitismo no Brasil, o que cresceu, de fato, foi o movimento contra o sionismo. Afinal, quantos judeus foram mortos ou até mesmo agredidos por simplesmente serem judeus desde 7 de outubro?

O artigo afirma: “são agressões verbais e físicas contra membros da comunidade judaica nas ruas; vandalismo como pichações antissemitas em estabelecimentos judaicos; distribuição de panfletos e jornais pedindo o fim do Estado de Israel e a ‘Solução Final’; discursos de ódio e linchamentos nas redes sociais; desprezo à memória do povo e até o negacionismo do Holocausto”. Agressão física e verbal é uma mentira descarada, afinal, os sionistas, com todo seu aparato de imprensa, já teriam vídeos para divulgar, fariam o inferno na Terra. Outra farsa é a da “solução final”, algo que só é defendido por grupos nazistas, ou seja, seria um panfleto que já teria aparecido na imprensa.

Qual é o único “antissemitismo” que se tem evidência? A defesa do fim do Estado de “Israel”, uma reivindicação tradicional da esquerda desde a criação de “Israel”. Os “casos” aumentaram justamente porque cresceu a campanha em defesa da Palestina e, assim, as panfletagens. Eles então afirmam: “o problema é quando o antissemitismo disfarçado de antissionismo ganha status de verdade e normaliza a intolerância. Como se bastasse substituir “judeu” por “sionista” para maquiar o antissemitismo”.

Eles acusam a campanha antissionista de abrir margem para a criação do antissemitismo. Apesar de isso não estar acontecendo na prática, é um fato relativo. O sionismo gera antissemitismo, afinal, muitos atribuem as atrocidades cometidas pela ocupação sionista aos judeus já que “Israel”, como já foi dito, se reivindica um “Estado judeu”. Ou seja, a solução para isso seria o fim do sionismo. Nesse sentido, os defensores da Palestina estão fazendo um favor aos judeus do mundo. Muitos judeus, inclusive, compreendem muito bem isso e são um setor ativo da campanha em defesa da Palestina.

O artigo tenta explicar o surgimento do antissemitismo: “o fundamento do novo antissemitismo bate na tecla oprimidos-opressores, tenta fazer crer que os judeus não são um povo historicamente oprimido que procura a autopreservação, mas sim opressores. Os judeus já foram odiados por vários motivos. Na Idade Média, o eram por sua religião, nos séculos 19 e 20, por causa de sua raça, considerada inferior, uma ameaça à pureza racial. Já foram odiados porque eram pobres e também porque eram ricos; porque eram comunistas e também porque eram capitalistas; porque tinham fortes crenças religiosas e também porque eram ateus; porque se mantinham isolados entre si e também porque se assimilaram. Hoje são odiados por causa do Estado de Israel. São odiados pela extrema direita e pela extrema esquerda. O antissemitismo não é um conjunto coerente de crenças, mas um conjunto de contradições”.

O motivo ideológico do ódio aos judeus pode ter variado ao longo dos séculos, mas o fator mais importante não mudou. O antissemitismo na Europa era sustentando pelas classes dominantes. Na Espanha, foram expulsos pela monarquia, o mesmo em Portugal. Na Rússia czarista, eram atacados pelo governo. Na Alemanha nazista, o mesmo, quem perseguiu os judeus era o governo. Quando o governo não era antissemita, isso não era um problema, como foi o caso do Oriente Médio desde a expansão do Islã até a criação de “Israel”. Os judeus e os muçulmanos viviam lado a lado por mais de um milênio.

Hoje, o ódio que existe em relação aos judeus de fato existe por causa do Estado de “Israel”, mas algo muito revelador mudou. Os judeus não são mais uma população perseguida, pois agora são um grupo usado pelo imperialismo para atacar os árabes. O antissemitismo, que era um problema sério na Europa, simplesmente deixou de existir quando a burguesia imperialista parou de considerar isso como útil.

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