Nesta sexta-feira, 26 de janeiro, a economista Deborah Bizarria publicou uma coluna na Folha de S.Paulo de nome Política industrial precisa dar resultado, não apenas agradar o setor. O artigo discute o programa de fomento à indústria do governo federal, o Nova Indústria Brasil. Serão injetados através do programa R$300 bilhões no setor através de crédito e subsídios.
A economista cita outros artigos na imprensa burguesa para criticar o programa, mas de maneira rasa. Afirma ela que “simplesmente colocar mais recursos em um setor econômico não necessariamente vai gerar maior produtividade e crescimento” Mas isso é lógico, é preciso planejamento, um plano de crescimento, um programa, se assim podemos colocar.
O artigo citado por Deborah, porém, é igualmente raso: “O efeito direto de subsídios a determinados setores é mudar a alocação do crédito na economia: alguns recursos fluem para empresas que não estariam dispostas a pagar os juros de mercado e não para outras que topariam os juros altos“. De autoria do economista Bernardo Guimarães, também na Folha, a coluna de título “Nova indústria, velhos subsídios” fica no lugar comum do neoliberalismo.
Haveria sempre no setor produtivo a disposição para pagar altos juros aos bancos, e abaixando os juros através de subsídios, se estaria beneficiando os setores dispostos apenas a pagar juros mais baixos (???) e não todo o setor produtivo, sendo ele o objeto dos subsídios. Uma afirmação errada de maneira primária, uma falsificação.
A colunista chega mesmo a fazer uma concessão, para não cair no ridículo: “Alguns setores da economia podem gerar mais aprendizados e ganhos sociais do que outros. Setores que hoje não são muito lucrativos podem crescer e se tornar muito produtivos com esses estímulos iniciais. Isso geraria mais produto e investimento no futuro.“
Nada mais que o óbvio: “O sucesso dessas políticas, portanto, depende fundamentalmente de como os beneficiados são escolhidos. Direcionar para os setores errados leva a uma redução na produtividade.” A afirmação, porém, vem como um ataque para afirmar que o governo não escolheu propriamente os locais e áreas a serem beneficiados, e sempre “com uma forte retórica nacionalista“.
Bom, para isso é preciso pensar um pouco. Quais setores hoje no Brasil, na área da indústria, precisam de incentivos e têm potencial para crescer? A resposta é: todos eles. A partir da operação Lava Jato, o que se operou foi uma destruição geral na indústria nacional, desde a construção civil, à construção naval, à indústria nuclear, petrolífera, química, frigorífica e mais. É preciso recolocar a economia nos eixos com pesado investimento estatal em todas as áreas.
Diz Deborah Bizaria justamente o contrário: “a política industrial (PI) deveria ter um foco mais preciso, com metas claramente definidas, e dar preferência a iniciativas de menor escala —ao contrário do que foi apresentado até o momento“. O tal foco específico não é jamais definido. Mas como fica evidente, serve para afirmar que as iniciativas deveriam ter menor escala, ou seja, que o incentivo estatal à retomada da economia brasileira deveria ser menor. Uma forma de impedir de fato o País de sair da estagnação econômica em que se encontra, a política do imperialismo, que domina a imprensa burguesa nacional.
Como continuidade de seu ataque à economia nacional, a economista busca colocar uma contradição entre a política de investimento na indústria com a de proteção de setores estratégicos desta mesma indústria: “Na mesma semana, o governo restringiu ainda mais o acesso ao mercado internacional, aumentando a taxa de importação acima do valor do Mercosul para compras feitas de empresas de países fora do bloco.” ora, mas é lógico, é preciso criar condições no Brasil para que as empresas nacionais tenham presença no mercado e consigam se desenvolver.
Ainda de acordo com Deborah, o próprio Lula teria reclamado de poucas metas concretas no programa, como forma de legitimar seu ponto. Aqui é preciso estabelecer claramente: o fundamental é o investimento na indústria, que pode ser adaptado. A forma como as metas são definidas ou não podem ser colocadas, mas não para questionar o sentido do investimento para estimular a economia, justo o que fazem os economistas da imprensa burguesa. Cinicamente ela afirma: “Também teria apontado falhas, incluindo problemas nos prazos para cumprimento das metas estabelecidas. Seria Lula um “neoliberal anacrônico”? Certamente não“, enquanto faz campanha para a continuidade da dilapidação da economia nacional.
Ao fim do artigo, se denuncia a colunista: “Para ganhar produtividade, não é de protecionismo estatal que a indústria precisa, mas de um choque de exposição ao livre mercado“. O que é o mesmo que dizer: “a indústria nacional deve ser sufocada e extinguida pelas empresas imperialistas, de modo que não consiga se desenvolver“. É uma farsa, uma política colonial, do imperialismo, para manter o Brasil e os países atrasados como tal.





