Argumentando que “parar novos projetos é menos custoso, enfrenta menos obstáculos legais e é politicamente mais fácil do que tentar eliminar a capacidade existente antecipadamente”, o imperialismo reforçou sua campanha contra a expansão da produção petrolífera pelos países atrasados, especialmente o Brasil e as nações africanas, onde se localizam as principais jazidas de petróleo e gás descobertas recentemente. A tese é parte de um longo artigo intitulado No New Fossil Fuel Projects: The Norm We Need (Sem novos projetos de combustíveis fósseis: a norma que precisamos, Fergus Green, Olivier Bois Von Kursk, Greg Muttitt, E Steve Pye) e publicado no último dia 30 pela revista Science, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência.
Segundo o artigo, “a produção global e o uso de combustíveis fósseis continuam a se expandir, tornando as metas do Acordo de Paris cada vez mais difíceis de serem alcançadas”. Por essa razão, os autores defendem como solução “concentrar [o movimento de transição energética] em uma etapa mais viável, porém crucial, no caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis: interromper a expansão dos combustíveis fósseis”.
“Os defensores de uma ação climática ambiciosa devem direcionar os esforços políticos e de defesa para a criação de uma norma global ‘No New Fossil’ [‘não a novos fósseis’, em tradução livre], que englobe a exploração e o desenvolvimento de novos locais de extração de combustíveis fósseis e a permissão e construção de novas infraestruturas de consumo de combustíveis fósseis em grande escala.”
O artigo atualiza uma preocupação relativamente antiga do imperialismo, que é barrar o avanço da fronteira petrolífera mundial. Em 2023, a ONG imperialista WWF (World Wide Fund for Nature, Fundo Mundial para a Natureza em português) destacou os “riscos ambientais, climáticos, sociais e financeiros decorrentes da abertura de novos projetos de fronteiras de petróleo e gás, em áreas ecologicamente sensíveis como a região do Ártico, a Amazônia brasileira e a África” durante a realização da COP 28 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Indo mais direto ao ponto que o ensaboado artigo da Science, o texto da ONG é taxativo no que diz respeito a um dos principais alvos da política de barrar a expansão da Margem Equatorial: “no Brasil”, diz, “há a expectativa do IBAMA novamente se posicionar sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas nos primeiros meses de 2024. Embora a sociedade civil tenha alertado sobre fragilidades nos relatórios e riscos socioambientais, a Petrobras insiste em obter licença, negada anteriormente”.
A ideia de barrar a pesquisa de novas jazidas de petróleo e parar nos campos atualmente em exploração é ridícula, por ser totalmente fora da realidade. O sangue de mais de 16 mil crianças palestinas é um claro indicativo do quão longe os países desenvolvidos estão dispostos a ir pelo controle da produção petrolífera. Não há transição energética alguma em curso, mas uma severa pressão para que os países atrasados mantenham-se distantes deste importante segmento do mercado mundial, um dos maiores do planeta.
Os artigos, no entanto, valem pela política velada expressa, de mobilizar uma opinião pública pequeno-burguesa rumo ao fanatismo de cunho ecológico, para impedir, sobretudo, o Brasil de desenvolver sua indústria petrolífera. O imperialismo, finalmente, continuará explorando os grandes campos de petróleo recentemente descobertos na Margem Equatorial de suas colônias sul-americanas (Guiana, Suriname e Guiana Francesa). O gigante latino-americano, porém, deve se preocupar com “riscos socioambientais” supostamente envolvidos com a exploração das jazidas existentes na região.
É obviamente uma chantagem. O objetivo não é outro, mas compor uma campanha contra o País, pela manutenção da pobreza das massas trabalhadoras brasileiras, ao mesmo tempo em que a ditadura mundial se mobiliza para uma grande guerra, tendo como uma de suas principais premissas o controle das principais jazidas petrolíferas do planeta.
Recentemente, a ONG imperialista Greenpeace entrou na ofensiva contra a política nacionalista do governo federal, objetivando impedir a exploração de petróleo na Margem Equatorial, evidenciando um cerco total contra qualquer iniciativa do governo Lula no sentido de aproveitar as riquezas existentes para superar a pobreza e o atraso, melhorando o padrão de vida do povo brasileiro e impulsionando o desenvolvimento econômico da nação. O viés esquerdista usado pelo imperialismo para chantagear o Brasil é uma mostra também que nenhum agente será poupado no ataque à principal nação latino-americana, que deve ser respondida com uma campanha por parte da esquerda, em defesa do País, da soberania nacional e dos interesses progressistas da classe trabalhadora brasileira.