O importante dirigente do Hamas, Bassem Naim, afirmou na terça-feira (28) que a continuação da guerra israelense em Gaza “significa mais prisioneiros israelenses nas mãos da resistência palestina”.
Em uma entrevista à Al Mayadeen, ele respondeu aos comentários do governo israelense sobre a disposição de “Israel” para um cessar-fogo de longo prazo, dizendo que “a manipulação israelense de palavras é inaceitável, pois deve ficar claro desde o início que um cessar-fogo completo é a nossa reivindicação irredutível”.
Naim destacou que a posição do Hamas nas negociações, juntamente com outras organizações da resistência, depende do desempenho dos combatentes no campo de batalha. Ele também lembrou da aceitação anterior do Hamas de uma proposta que atendia às aspirações palestinas e que havia sido acordada inclusive com representante dos EUA.
Ele confirmou que ninguém contatou o movimento recentemente e que não foram feitas novas propostas. Enfatizou a relutância do Hamas em se envolver em novas negociações enquanto “Israel” ocupa a passagem de Rafá. Naim acrescentou: “não estamos preparados para abrir a discussão de novas propostas, dadas as táticas adotadas por Benjamin Netaniahu nos últimos meses”.
Além disso, ele esclareceu que a resistência “não aceitará usar as negociações como forma de permitir que o inimigo ganhe mais tempo para prosseguir com seus planos contra o povo palestino”, enfatizando que a prioridade da resistência é “proteger o povo palestino dos massacres”.
Há “uma tentativa israelense de encobrir os massacres contra o nosso povo, alegando que há um movimento recente em direção às negociações”, destacou ele.
Outro dirigente do Hamas informou que o movimento de resistência ainda não recebeu quaisquer propostas de cessar-fogo provenientes das conversações indiretas em curso com “Israel”.
Anteriormente, uma fonte da resistência palestina disse que a ocupação israelense não é séria nas suas tentativas de regressar às negociações, enfatizando a insistência do Hamas em parar os massacres israelenses contra o povo de Gaza. A fonte enfatizou que o Hamas “acredita que Israel não leva a sério” a questão de chegar a um acordo, e considera as manobras de “Israel” como tentativas de obscurecer e justificar a contínua perpetração de atos criminosos contra o povo palestino.
A CIA e “Israel”
O diretor da CIA, Bill Burns, reuniu-se com o chefe do Mossad, David Barnea, em Washington, e após o retorno deste último, a imprensa israelense relatou que “Israel”, os EUA e o Catar concordaram em retomar as negociações indiretas com o Hamas sobre a libertação de colonos e soldados israelenses mantidos em Gaza, a libertação de palestinos detidos nas prisões israelenses e uma potencial trégua em Gaza.
Segundo relatos, a próxima rodada de negociações, que os EUA, “Israel” e o Catar estão supostamente prontos para realizar, será mediada pelo Egito e pelo Catar, após o documento de Paris apresentado pelo diretor da CIA, Burns, pelo chefe do Mossad, Barnea, e pelo primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al Thani.
Em nota, o jornalista Barak Ravid sublinhou que a mediação incluirá o “envolvimento ativo dos EUA”. Ele também, postou, pouco depois, que o governo Biden ficou surpreso com o anúncio israelense sobre a retomada das negociações sobre um acordo de prisioneiros.




