Em greve, milhares de servidores e funcionários (TAEs e outros) e professores das universidades e institutos federais de todo o País se concentraram em frente à Catedral Metropolitana, em Brasília, nessa terça-feira (21). Por volta das 10 horas, seguiram em passeata até o Bloco C da Esplanada dos Ministérios – sede do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) – para acompanhar as negociações com o governo e protestar após quase 50 dias de greve (que se completam hoje).
O ato fez parte da Jornada de Lutas que começou ontem e continua hoje com a Marcha da Classe Trabalhadora convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), outras “centrais”, Confederações e Sindicatos, muitos dos quais organizaram caravanas que devem levar outras milhares de pessoas à capital federal.
Esquentando os tambores
Ontem, mais de 40 seções sindicais do SINASEFE, bem como bases sindicais do Andes-SN e da Fasubra Sindical, também estiveram presentes no ato, em um sinal importante de unidade na luta da Educação Federal em greve, junto com setores do funcionalismo do DF, também com salários congelados neste ano.
De forma unitária, e superando a vacilação de muitos setores das direções que acenaram com a possibilidade de recuo da greve, os milhares de manifestantes gritavam “a greve continua” quando foram informados que os representantes dos ministérios da área financeira apresentaram aos técnicos administrativos (os primeiros a saírem em greve) a mesma proposta absurda de reajuste zero em 2024, com pequenos reajustes apenas em 2025 e 2026.
Dia de Luta
A importante e combativa mobilização dos grevistas foi a melhor abertura possível para a Marcha convocada para hoje, desidratada pela fraca mobilização da maioria das direções sindicais e pela ausência de uma política real de mobilização em torno de reivindicações concretas dos trabalhadores, como se vê no caso da greve da Educação.
Mesmo assim, hoje deve acontecer a maior mobilização dos trabalhadores desde a posse de Lula, por conta da política de expectativa e de “aplausos” da esquerda e dos sindicalistas às listadas medidas do governo Lula, em meio a um enorme cerco que este sofre por parte dos banqueiros e demais tubarões dos grande capital internacional e “nacional” diante do agravamento da crise.
A greve em curso mostra que há uma tendência de luta que se evidencia em outras mobilizações, destacadamente entre os trabalhadores do ensino básico, em vários estados e municípios, como resultado da revolta crescente contra a política de destruição do ensino público dos governos golpistas de Temer e Bolsonaro e dos governos estaduais e municipais que seguem a mesma política de tirar recursos da educação para entregar para os bancos, grandes monopólios e suas máfias políticas.
É uma reação também ao cerco que a burguesia direitista faz por todos os lados – inclusive de dentro dos Ministérios – contra o governo Lula, eleito pelos trabalhadores e suas organizações para enfrentar essa situação, mas que vem sendo pressionado e cede, em aspectos decisivos, à pressão da direita, o que leva a um aumento da pressão e novas concessões, como no caso da política de déficit zero, às custas de uma política de austeridade que busca deixar os educadores e todos o funcionalismo sem recomposição das perdas etc. Enquanto isso, os sabotadores do Banco Central e do Congresso Nacional continuam distribuindo bilhões para os banqueiros, especuladores e suas máfias políticas.
Por um programa dos trabalhadores
Contra este cerco e na defesa das reivindicações dos trabalhadores, é preciso romper a paralisia da maioria das direções sindicais, organizar comandos de base e piquetes nas greves para pressionar as organizações dos trabalhadores, como a CUT, Sindicatos, CNTE etc. a convocarem amplamente a mobilização em torno de reivindicações concretas diante da crise, começando pelo apoio irrestrito à greve dos servidores em curso.
Contra a política da direita, os trabalhadores precisam de um programa próprio diante da crise, dentre outras medidas, a defesa da reposição de 100% das perdas salariais, aumento emergencial do salário mínimo, cancelamento das privatizações (Petrobrás 100% estatal), nacionalização do petróleo, fim do roubo da população pelos banqueiros com a imediata redução da taxa de juros e luta pela estatização dos bancos sob o controle dos trabalhadores.
Para isso, um dia de luta e uma mobilização demonstrativa dos sindicatos não basta. É preciso debater em todos os sindicatos uma ampla jornada de lutas em todo o País em torno de um programa próprio dos trabalhadores, a ser debatido em uma ampla conferência nacional dos trabalhadores com delegados eleitos nas bases.
A concentração do movimento será a partir das 8h, no estacionamento entre a Torre de TV e o Eixo Cultural Ibero-Americano.





