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Guerra na Ucrânia

Esquerda pequeno-burguesa é incapaz de se desprender da OTAN

A esquerda pequeno-burguesa se vê obrigada a criticar a OTAN, mesmo assim, não consegue entender o básico e continuar atacando Putin, ficando, no final, ao lado da OTAN

A operação militar russa na Ucrânia se iniciou em fevereiro de 2022. Ela foi uma reação às investidas da OTAN, que estava transformando a Ucrânia em uma verdadeira máquina de guerra contra a Rússia. Foram armadas milícias nazistas e montadas dezenas de laboratórios de armas biológicas. Além disso, por oito anos, o governo ucraniano massacrou a população russa no Donbass. Putin decidiu reagir contra o imperialismo, mas a esmagadora maioria da esquerda pequeno-burguesa foi incapaz de apoiar Putin, adotou a “neutralidade” – na prática, a defesa da OTAN.

Passados dois anos, os grupos têm cada vez mais dificuldade de manter essa posição. O portal Esquerda Diário é um deles. O portal publicou recentemente o artigo OTAN autoriza Ucrânia a atacar território russo com as suas armas. Ele se refere à escalada da OTAN na guerra, em que o imperialismo permite cada vez mais ataques contra a Rússia que podem, inclusive, levar a guerra para fora da Ucrânia. Diante dessa realidade, fica quase impossível para o MRT, organização que escreve o Esquerda Diário, atacar a Rússia.

O que acontece é que no artigo inteiro há críticas contra a OTAN e nada se fala sobre as ações de Putin. Ou seja, a realidade acaba impondo que o posicionamento da esquerda seja contra a OTAN. Mas ele não consegue se desvencilhar da posição imperialista de atacar Putin. Então, conclui o texto com a mesma política que vem bradando há dois anos, uma política radicalmente pró-imperialista de ataque a Rússia.

“Dissemos desde o início dessa guerra reacionária: os trabalhadores e as classes populares na Ucrânia, mas também na Rússia, são prisioneiros de dois campos reacionários, a Rússia de Putin, de um lado, e Zelensky/OTAN, do outro”, afirma o Esquerda Diário.

Aqui está o cerne da questão. Por que essa guerra é reacionária? A Rússia é um país oprimido, basta ver o que foi feito com o país na década de 1990, uma das maiores destruições neoliberais da história. A própria existência da Ucrânia e da Bielorrússia demonstram isso, foi consequência de um ataque do imperialismo para dividir a Rússia, esses três países sempre foram o mesmo país.

Então o que acontece na prática é que um país atrasado está derrotando a OTAN, é algo quase revolucionário. Uma nação oprimida derrotando uma aliança de quase todos os países imperialistas. Isso tornou Putin uma das figuras mais populares do planeta. Ele está agora auxiliando outras nações a se libertarem, como os países do Sahel africano que pedem ajuda a Putin para lutar contra Macron. O Esquerda Diário não explica por que Putin seria reacionário.

Ele afirma: “hoje, o futuro dos explorados e oprimidos em ambos os países parece mais do que comprometido, presos numa situação profundamente reacionária. A emergência de um campo proletário, independente de todas as facções burguesas ucranianas ou russas e de potências imperialistas, teria sem dúvida oferecido outras perspectivas para a classe trabalhadora”.

Vale então imaginar o que faria um partido operário independente na Rússia e na Ucrânia nesse caso. Na Rússia, o partido deveria ficar contra a OTAN, apoiar as ações nacionalistas de Putin e criticar as suas ações conservadoras e, assim, crescer dentre a classe operária por ter uma posição ainda mais popular que a de Putin. Ou seja, esse partido apoiaria a guerra contra a OTAN.

Na Ucrânia, o principal papel do partido operário seria lutar contra o imperialismo em seu próprio país. Ele deveria estar atuando desde 2014 contra o golpe de Estado, contra as milícias nazistas, contra o governo lacaio da OTAN. Só que ao contrário da Rússia, na Ucrânia, esse partido de fato existe, são os governos das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Eles lutaram por oito anos de armas na mão, e continuam na luta contra o governo da Ucrânia e a OTAN. Qual é a posição deles? Apoio total à Rússia, atuando juntos na guerra.

No caso de Lugansk, este Diário enviou uma delegação para esta república em 2022. Nos artigos aqui publicados, ficou revelando que existe um verdadeiro governo operário. Quando as milícias nazistas atacaram a cidade, que se declarou independente, quem assumiu a dianteira foi a classe operária. Ou seja, há uma frente entre um governo operário e o governo Putin contra a OTAN. O que mostra, mais uma vez, que não há nada de reacionário na posição de Putin. >>> Na República Popular de Lugansk, o sindicato é a lei

O artigo ignora essa realidade e afirma: “mas as forças do movimento operário estão muito enfraquecidas e desorientadas e, ao mesmo tempo, o movimento operário nos países imperialistas tem sido incapaz de defender tal alternativa de independência de classe face à agressão de Putin e às manipulações de guerra da OTAN”. Como dito acima, o movimento operário na Ucrânia que estava ativo pediu a ajuda de Putin. Já o movimento operário europeu não pode assumir essa postura contra a OTAN e contra Putin.

Durante a Primeira Guerra Mundial, houve uma discussão parecida. Os socialistas de cada país foram chamados pela burguesia imperialista a apoiar a guerra contra o outro bloco do imperialismo. O correto, naquela ocasião, era se opor à sua própria burguesia, afinal, se opor à burguesia de outro país seria, na prática, fazer uma frente com o governo do próprio país. Sendo assim, a esquerda da Europa não deve falar nada negativo de Putin, isso é, fazer coro com a campanha do imperialismo. E no caso da Rússia atual, que é um país oprimido, o correto é defender Putin.

Mas o Esquerda Diário nem considera a Rússia uma nação oprimida: “no entanto, essa orientação continua a ser decisiva para evitar ainda mais sofrimento para o povo ucraniano e russo e, de forma mais geral, para os trabalhadores de todo o continente hoje ameaçados pelas aventuras bélicas das burguesias imperialistas”. Ou seja, eles acham que a Rússia, que em uma economia baseada em exportação de gás, é uma nação imperialista. Sem entender o básico, eles acabam prestando um serviço para o imperialismo real, aquele que oprime tanto a Rússia, quanto o Brasil.

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