A operação militar russa contra a OTAN na Ucrânia já passa de dois anos. Em comparação com a Federação Russa, o maior país do mundo em território e um dos mais importantes países atrasados do mundo, a Ucrânia nunca teria chance de sustentar uma guerra. Porém, trata-se de uma guerra do imperialismo contra a Rússia, de modo que a Ucrânia está sendo usada apenas como bucha de canhão. Por isso, o G7 (EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá), que é o principal fórum público e oficial de discussão dos países imperialistas, que são os principais credores da Ucrânia, está há meses discutindo o que fazer com a dívida de mais de 100 bilhões de dólares do país (cerca de R$525 bilhões de reais) e também os meios de continuar financiado a guerra.
Quem opera a dívida ucraniana são principalmente os grandes fundos de investimento e os bancos imperialistas, junto com os chamados organismos multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional), que nada mais são do que coligações financeiras dos próprios países imperialistas. Pouco depois do início da operação russa, em julho de 2022, esses países determinaram o congelamento da dívida por dois anos, que se encerra no próximo mês. No entanto, há o agravante de que a Ucrânia também possui dívidas com outros países, inclusive com a própria Rússia. Dessa forma, além do impasse no próprio G7, visto que o debate se arrasta há meses, há a negociação com todos os outros credores privados, os países que não fazem parte do seleto grupo do imperialismo e ainda os que têm se colocado em franca oposição a ele.
A resposta russa às provocações da OTAN colocou o imperialismo nas cordas. Agora, após 2 anos de conflito sem nenhum avanço do lado imperialista, eles não conseguem chegar a um acordo. Durante as discussões no G7, o governo dos EUA propõe roubar os recursos russos depositados em bancos desses países, que chega perto de 300 bilhões de dólares (mais de 1 trilhão e meio de reais). Esses recursos estão congelados como parte da política de sanções criminosas do imperialismo contra os russos. E eles estão principalmente na Europa. No entanto, os europeus alegam que executar esse verdadeiro assalto seria prejudicial para a estabilidade dos regimes locais, minando a já pequena credibilidade desses países frente a outros que possuem reservas depositadas, como a China e os países do Golfo. Nominalmente, a presidente do Banco Central da União Europeia e os governos da Itália, Bélgica, França e Alemanha se opõem totalmente a essa medida. A Inglaterra não se opõe completamente, mas defende que se chegue a um acordo menos drástico do que o proposto pelos EUA.
A falta de coesão interna do imperialismo para se chegar a um acordo revela algumas coisas. Primeiro, mostra que a crise atual não é possível de ser superada sem grandes sacrifícios por parte do próprio imperialismo. A política neoliberal já foi criada como uma política para enfrentar a crise. No entanto, o momento atual é a crise dessa política, ou seja, a crise da política de crise. Em segundo lugar, esclarece a importância das derrotas impostas ao imperialismo nos últimos anos, muitas dos quais uma grande parte da esquerda brasileira se opôs pelos motivos mais absurdos, argumentando que os regimes que enfrentam o imperialismo são autoritários, sem entender o que está em jogo. Por último, e mais importante, ilumina a perspectiva para o desenvolvimento da luta política para o próximo período: com o esgotamento das medidas relativamente pacíficas para dominar os países atrasados, o imperialismo será obrigado a partir para uma guerra aberta, que abrirá um novo período de lutas revolucionárias e poderá levá-lo ao fim.





